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JiveMauá estreia no agro com fundo de R$ 500 milhões

Fiagro JMAG estreia com carteira superior a R$ 500 milhões, subordinação de quinze por cento e garantias para defender o cotista sênior.

JiveMauá estreia no agro com fundo de R$ 500 milhões
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  • A JiveMauá lançou o JiveMauá Agronegócio Fiagro (JMAG) com carteira de mais de R$ 500 milhões e cotas sênior com retorno-alvo de 15% ao ano, em série pré-fixada, com prazo de seis anos.
  • A estrutura de subordinação de 15% (R$ 75 milhões) funciona como linha de defesa, de forma que o cotista sênior só sofre perdas após a absorção integral desse montante pela gestora.
  • O JMAG estreia com 22 operações e um pipeline superior a R$ 800 milhões, distribuídas entre FIDC, Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), CPRs, debêntures e sale and leaseback, com alocação prevista entre 60 e 80 dias.
  • A entrada marca uma expansão da JiveMauá, que criou uma mesa dedicada ao agronegócio com mais de 20 profissionais; o projeto é liderado por Paulo Fleury, com visão de aproveitar o momento de maior disciplina em garantias e governança.
  • O cenário de Fiagro é de ativos problemáticos e volatilidade, mas a gestora aposta na evolução do mercado, que já supera quarenta bilhões de reais, com perspectiva de crescer para mais de duzentos bilhões nos próximos anos.

O JiveMauá estreou no segmento agro financeiro com o primeiro Fiagro do portfólio, o JiveMauá Agronegócio Fiagro (JMAG). A operação ocorre em um cenário de ativos problemáticos em FIAGROs, com 16 fundos do tipo sob gestão de ativos em atraso ou com garantias desenquadradas. A estreia acontece na Cetip, aberta a investidores, com foco em creditar operações no setor rural.

A gestora, com R$ 25 bilhões sob gestão, atua em distressed assets e pretende usar a experiência para selecionar riscos de forma mais criteriosa. O CIO de crédito privado, infraestrutura, agronegócio e previdência, Samer Serhan, afirma que o frio do ciclo atual facilita a tomada de decisões com garantias reais. O objetivo é construir uma carteira resistente.

O JMAG terá uma carteira inicial superior a R$ 500 milhões, com a cota sênior acessível ao investidor comum e alvo de retorno líquido de 15% ao ano em uma série pré-fixada com prazo de seis anos. A oferta pública é coordenada pela XP. A estrutura de subordinação, no entanto, é o diferencial-chave: 15% do patrimônio oferece uma linha de defesa para evitar impactos na cota sênior.

Essa subordinação equivale a R$ 75 milhões, que absorvem primeiras perdas antes de atingir o cotista sênior. O gestor Paulo Fleury explica que o cotista sênior só perde após a JiveMauá absorver integralmente esse montante. Em comparação com outros fundos, esse nível de subordinação está na faixa superior do mercado.

O JMAG entra no agro com uma carteira de 22 operações e um pipeline superior a R$ 800 milhões, com previsão de alocação completa em 60 a 80 dias. As operações abrangem FIDCs, CRAs, CPRs, debêntures e estruturas de sale and leaseback em subsectores do agronegócio, insumos, máquinas, produtores rurais, indústria alimentícia e distribuidores.

A entrada da gestora no agronegócio é parte de uma expansão interna, já que a vertical de crédito privado cresceu para cerca de R$ 5,5 bilhões desde 2022. Para isso, a JiveMauá formou uma equipe dedicada de mais de 20 profissionais, incluindo advogados e especialistas financeiros, sob liderança de Fleury. O grupo destaca a importância de estrutur ar operações com garantias, governança e prazos mais rigorosos.

O timing de entrada no Fiagro é analisado no contexto do mercado, que envolve queda de preços de commodities e custos elevados, com recuperação judicial recente de grandes devedores. A estratégia, porém, é manter disciplina, com foco em garantias e governança para reduzir riscos.

Entre lições do setor, o Fiagro IAGR11, da SFI Invest, ficou emblemático após quatro grandes devedores entrarem em recuperação judicial, derrubando o valor da cota. A experiência mostrou riscos de concentração e garantia fraca, além da necessidade de especialização entre gestoras. A JiveMauá busca aproveitar esse aprendizado.

A gestora ressalta que fundos públicos podem investir em empresas em recuperação judicial, desde que a recuperação esteja consolidada e os recebíveis performados. O objetivo é ampliar o portfólio com ativos que respeitem a proteção ao cotista sênior, mantendo o foco em crédito privado para o agronegócio sem comprometer a solidez da estrutura. O mercado de Fiagros já supera R$ 40 bilhões, com projeção de crescer além de R$ 200 bilhões nos próximos anos.

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