- Agro brasileiro encara juros altos, margens pressionadas e crédito mais seletivo, com uso recente da recuperação judicial por produtores.
- Desempenho não é uniforme: milho, café e parte da cadeia de proteínas apresentam resultados mais positivos, mantendo a atividade no campo.
- Recuperação judicial perde força após avanço recente; uso foi legítimo, mas houve casos de mau uso, e produtores precisam recompor estrutura financeira e relações com credores.
- Crédito mais seletivo tende a se intensificar e o mercado de capitais ganha espaço como alternativa de financiamento, especialmente para grandes operações, sem abandonar o papel dos bancos.
- Bradesco amplia atuação consultiva no agro, com equipes técnicas (agrônomos) e foco em ESG, gestão financeira e alocação de recursos para o setor.
O agronegócio brasileiro enfrenta um momento de maior cautela diante de juros elevados, margens pressionadas e ajustes na concessão de crédito. O tema foi apresentado por José Ramos Rocha Neto, vice-presidente do Bradesco, durante a Agrishow, em Ribeirão Preto. Ele aponta que o ambiente financeiro restrito exige maior seletividade no crédito e abre espaço para o mercado de capitais como alternativa.
Segundo Rocha, culturas como soja e algodão apresentam margens mais estreitas, enquanto o custo do crédito permanece elevado. Ainda assim, o cenário não é visto como uniforme: segmentos como milho, café e parte da cadeia de proteínas seguem com resultados mais positivos, mantendo a atividade rural estável.
O uso da recuperação judicial no agro ganhou tração nos últimos anos, especialmente no Centro-Oeste, mas Rocha afirma que sinais indicam estabilização. O executivo ressalta que a ferramenta é legítima para recuperação, porém, em alguns casos, houve uso inadequado e arrependimento de quem a utilizou.
Com juros mais altos, o crédito tende a ficar mais seletivo, e o mercado de capitais ganha espaço principalmente em operações de maior porte. O Bradesco, segundo ele, mantém atuação consultiva com equipes técnicas, incluindo agrônomos, em toda a rede de atendimento ao agro.
A incorporação de critérios ESG avança de forma gradual, influenciando o acesso a crédito e a percepção de risco. Práticas como integração lavoura-pecuária e conservação de áreas naturais passam a contribuir para decisões financeiras, conforme Rocha.
Apesar do ambiente desafiador, Rocha destaca fundamentos sólidos do setor, como ganho de produtividade, avanço tecnológico e vantagens competitivas no cenário global. O momento, segundo ele, é de ajuste, com o produtor permanecendo ativo e as instituições buscando compreender realidades locais.
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