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Kora Saúde fecha acordo com credores para recuperação extrajudicial

Kora Saúde firma acordo com credores para recuperação extrajudicial, com endividamento de R$ 2,5 bilhões e liquidez pressionada

Em 2025, o prejuízo ajustado somou R$ 183,5 milhões, forte aumento ante a perda de R$ 2,7 milhões de 2024
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  • A Kora Saúde, controlada pelo fundo HIG Capital, fechou acordo com credores não operacionais para entrar em recuperação extrajudicial e reestruturar o passivo.
  • O plano abrange apenas o passivo não operacional; credores operacionais não estão incluídos.
  • A empresa negocia ainda com credores de obrigações não abrangidas pelo plano e mantém standstills para adiamento de parcelas da dívida.
  • Em 2025, a dívida líquida ficou em R$ 2,5 bilhões, com relação dívida bruta/Ebitda pré-IFRS estimada em torno de oito vezes.
  • A rede da Kora tem aproximadamente 2,1 mil leitos, cerca de 11 mil funcionários e faturamento de R$ 2,4 bilhões em 2025, com prejuízo ajustado de R$ 183,5 milhões no mesmo ano.

A Kora Saúde, controlada pelo fundo de private equity HIG Capital, aprovou um acordo com seus principais credores não operacionais para iniciar um processo de recuperação extrajudicial. A medida visa a reestruturar o passivo da empresa diante de Fridays em que enfrentou pressão de liquidez e risco de descasamento entre fluxo de caixa e serviço da dívida.

O grupo de hospitais revelou, em comunicado divulgado na noite de quarta-feira, 29 de abril, que negocia com credores de obrigações não abrangidas pelo plano de recuperação e que o objetivo é viabilizar uma reestruturação abrangente do passivo não operacional. A informação não detalha os termos, nem menciona credores operacionais. A companhia afirma que as iniciativas podem ocorrer em conjunto para tornar a recuperação viável.

As tratativas com credores já vinham ocorrendo há meses, conforme reportado pela Bloomberg, com a possibilidade de recorrer à recuperação extrajudicial para ajustar o endividamento. A Kora Saúde fez parte de uma onda de consolidação no setor de saúde entre 2020 e 2022, associada a aquisições que resultaram em crescimento de rede e faturamento, mas também em alta de endividamento.

Detalhes da estrutura e impactos financeiros

A rede da Kora soma cerca de 2,1 mil leitos, 11 mil funcionários e 10 mil médicos atuantes no Espírito Santo, Ceará, Tocantins, Mato Grosso, Distrito Federal e Goiás. O faturamento projetado para 2025 é de aproximadamente R$ 2,4 bilhões, com alta estimada de 5,1% frente 2024. Entretanto, o endividamento líquido encerrou 2025 em R$ 2,5 bilhões.

A Fitch Ratings apontou que a relação dívida bruta com EBITDA pré-IFRS ficou em torno de 8,0 vezes em 2025, estimando queda para cerca de 7,5 vezes em 2026. Tais níveis indicam um desafio para o cumprimento de covenants e para a gestão de liquidez da empresa.

No balanço anual, divulgado com atraso, a Kora informou prejuízos repetitivos, com prejuízo ajustado de R$ 183,5 milhões em 2025, frente uma perda de R$ 2,7 milhões em 2024. Obigações de curto prazo, incluindo empréstimos, debêntures e parcelamentos tributários, somaram R$ 260,5 milhões ao fim de 2025, gerando pressão sobre a liquidez.

Contexto e próximos passos

Paralelamente ao estudo da recuperação extrajudicial, a Kora vinha negociações para mitigar riscos de caixa e vencimentos de 2026, obtendo standstills para diferimento de parcelas da dívida referente a março e para o pagamento de debêntures. A iniciativa se insere num momento em que o setor de saúde tem visto outras empresas buscarem medidas similares para lidar com elevada composição de passivos.

Em 2023, o CEO Antonio Benjamim informou ao NeoFeed que a empresa buscava melhorar a saúde financeira por meio de internalização de serviços de hospitais adquiridos e venda de imóveis, com expectativa de levantar cerca de R$ 700 milhões. A HIG Capital chegou a discutir, no início de 2025, uma proposta de Oferta Pública de Aquisição de ações para converter o registro da Kora em companhia aberta.

O anúncio desta recuperação extrajudicial coloca a Kora Saúde ao lado de outras empresas que recorreram a esse mecanismo para renegociar dívidas, como GPA e Raízen. O NeoFeed buscou um posicionamento da empresa, mas não obteve retorno até o momento.

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