- Os Emirados Árabes Unidos anunciaram planos de deixar a Opep, levantando dúvidas sobre a sobrevivência do cartel.
- Apesar do anúncio, os mercados ignoraram o impacto imediato, com o petróleo Brent subindo pelo sétimo dia consecutivo.
- Na quinta-feira, o Brent atingiu US$ 114,68 o barril, impulsionado pela escalada nas negociações entre EUA e Irã.
- Analistas destacam que a saída dos Emirados pode enfraquecer o poder de mercado da Opep, favorecendo o Irã na condução das exportações.
- Mesmo com a saída, a aliança Opep+ — hoje responsável por cerca de quarenta por cento da produção global — tende a manter alguma influência, dependendo da coesão entre membros, especialmente Arábia Saudita.
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram na terça-feira a intenção de deixar a Opep, o que coloca em xeque a viabilidade do cartel. O mercado respondeu de forma contida, com foco em desdobramentos geopolíticos.
Mesmo com o anúncio, o petróleo seguiu operando quase sem oscilações iniciais. Na quinta-feira, o Brent atingiu US$ 114,68 o barril, maior valor desde 31 de março, em meio a negociações travadas entre EUA e Irã.
Analistas ressaltam que a saída pode reduzir o poder de influência da Opep, especialmente se o Irã ampliar sua posição no estreito de Hormuz. A Opep+ ainda representa cerca de 40% da produção global, mesmo sem os UAE.
A Arábia Saudita poderia consolidar maior controle sobre as decisões da Opep depois da saída, mas fica a dúvida sobre a capacidade de manter a coesão entre os membros. A relação entre Abu Dhabi e Riad já vinha tensionada há anos.
Fontes próximas ao governo saudita minimizam o impacto, afirmando que a produção do país tende a exceder cotas, o que amenizaria consequências de mudanças no cartel. A decisão de Abu Dhabi também altera o eixo de poder regional.
A saída dos UAE não deve ser fatal para a Opep, mas pode gerar uma mudança de cartas. Se outros membros avaliarem deixar o grupo, o efeito sobre o mercado se ampliará, especialmente em cenários de oscilações de oferta.
Especialistas também destacam que a aliança Opep+ ainda sustenta boa parte da produção mundial e pode manter o equilíbrio, desde que a liderança saudita mantenha a coesão entre os membros.
Autoridades de mercado sugerem cautela: a longo prazo o custo pode recair sobre preços se a oferta superar a demanda. Há ainda incertezas sobre eventuais recuos de países-chave no cartel.
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