- A taxa de desemprego foi de 6,1% no 1º trimestre de 2026, em linha com expectativas; na série com ajuste sazonal, subiu de 5,6% para 5,7%.
- A ocupação aumentou, com a população ocupada em 102,8 milhões; a força de trabalho atingiu 108,9 milhões, e a participação ficou em 62,2%.
- O emprego formal chegou a 64,8 milhões, alta de 0,2% em março frente a fevereiro; o total de informais caiu para 38,0 milhões.
- A renda real do trabalho segue em alta, com rendimento real habitual de 3.722 reais; ganho real de 1,6% no trimestre e 5,5% no ano, somando massa de 374,8 bilhões.
- Economistas veem o mercado de trabalho ainda resistente e dizem que a inflação, especialmente de serviços, pode influenciar as decisões do Copom; projeções indicam desemprego em torno de 5,6% no fim de 2026.
O mercado de trabalho manteve fôlego no início de 2026, com desemprego estável em patamares baixos e renda real do trabalho em nível histórico. Dados da PNAD divulgados pelo IBGE mostram inflação ainda sob efeito do mercado de serviços, o que alimenta incertezas para o Copom.
A taxa de desemprego ficou em 6,1% no primeiro trimestre de 2026, ante 5,8% no trimestre móvel anterior. A população ocupada somou 102,8 milhões, alta de 0,1% na comparação com fevereiro, a quinta expansão mensal consecutiva.
Paralelamente, a força de trabalho atingiu 108,9 milhões, com alta de 0,2% em março ante fevereiro. A taxa de participação ficou em 62,2%, ainda distante do pré-pandemia, em torno de 63,5%. O emprego formal cresceu 0,2% em março frente a fevereiro, totalizando 64,8 milhões.
Renda em alta
O rendimento real do trabalho atingiu novo recorde, com o salário médio habitual de R$ 3.722, alta de 1,6% no trimestre e 5,5% no ano. A massa de rendimento real chegou a R$ 374,8 bilhões, recorde, com avanço de 7,1% em 12 meses.
A categoria Outros Serviços apresentou forte elevação de 11,5% na comparação interanual. Segundo especialistas, a redução da informalidade ajuda a sustentar o crescimento da renda média, já que o emprego formal tende a remunerar melhor.
Empregos formais seguem resilientes, aponta Margato, da XP. O economista destaca que a taxa de desemprego permanece abaixo do nível neutro, com projeção de 5,6% ao fim de 2026 e 6,2% ao fim de 2027. A previsão de PIB em 2026 permanece em 2,0%.
Observações sobre o mercado
Costa, da ASA, ressalta que a renda real continua impulsionando o consumo, apesar de o ritmo da criação de vagas ter perdido fôlego. O estudo sinaliza que a massa de renda real alcançou novo patamar de recorde, ajudando a sustentar a demanda no curto prazo.
Valério, do Inter, aponta que a PNAD, embora favorável à renda, deve ser interpretada com cautela pela natureza de média móvel trimestral. A força de trabalho pode desacelerar com o choque do petróleo e da conjuntura internacional.
Perez, da Suno Research, observa que a alta na renda real é alimentada por desemprego baixo e salários, mas alerta para efeitos inflacionários no setor de serviços. A visão é de continuidade do mercado de trabalho resiliente e queda gradual do desemprego ao longo de 2026.
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