- Estudo de 2023 do Centro de Pesquisa de Política Econômica aponta que sanções impostas por Estados Unidos e União Europeia entre 1971 e 2021 resultaram em cerca de 38 milhões de mortes no mundo.
- Em 2025, pesquisa publicada na Lancet Global Health estimou 564.258 mortes anuais por sanções unilaterais, totalizando mais de 28 milhões em cinco décadas; mais da metade das vítimas tinha menos de cinco anos.
- A abrangência cresceu: na década de 1960, 5% da economia global estava sob sanções; na década de 2010 chegou a 25%; hoje, um terço da economia mundial envolve nações sancionadas.
- Os Estados Unidos lideram as sanções unilaterais; em 2023, 40% do total mundial foi imposto por Washington, seguido pela ONU com 30% e pela União Europeia com 20%.
- Casos ilustram impactos humanos: embargo a Cuba desde 1962; Afeganistão perdeu cerca de 700 mil empregos em 2023; populações sofrem com escassez, inflação, desemprego e insegurança alimentar.
Desde o fim da Primeira Guerra Mundial, as sanções internacionais nunca foram tão amplamente usadas como hoje. Ainda que apresentadas como alternativa menos violenta à guerra, pesquisas indicam custos humanos expressivos. O debate ganhou novas evidências em 2023 e 2025.
Um estudo do CEPR, com sede em Londres, apontou que entre 1971 e 2021 as sanções impostas por EUA e UE deixaram cerca de 38 milhões de mortos. O indicador envolve efeitos diretos e indiretos sobre a alimentação, saúde e condições de vida.
Em 2025, a Lancet Global Health examinou 152 países no mesmo período e estimou 564.258 mortes anuais ligadas a sanções unilaterais, totalizando mais de 28 milhões em cinco décadas. Ao considerar todas as modalidades, o total chega a 776.610 mortes por ano.
Mudanças ao longo do tempo
Durante a Guerra Fria, as sanções eram majoritariamente comerciais contra regimes como Cuba e Coreia do Norte. Na década de 1990, surgiu o conceito de Sanções Inteligentes, com foco em alvos específicos para poupar a população.
Nos últimos 15 anos, o uso ocidental de sanções cresceu de forma acelerada. Na década de 1960, 5% da economia mundial passava por sanções; na década de 2010, o indicador subiu para aproximadamente 25%. Hoje, um terço da economia global está associada a países sancionados.
Liderança e padrões de aplicação
A União Europeia elevou, entre 2000 e 2024, o número de sanções de pouco mais de 100 para mais de 5.000. Ainda assim, as sanções continuam lideradas pelos EUA, que desempenham papel central nas medidas unilaterais.
Em 2023, Washington respondeu por 40% do total global de sanções, segundo o Banco de Dados Global de Sanções, com a ONU e a UE respondendo, respectivamente, por 30% e 20%. A Lancet ressalta que o custo humano das sanções da ONU é menor do que o das ações bilaterais.
Impacto sobre populações
O embargo de Cuba, mantido pelos EUA desde 1962, é citado como exemplo de dano a serviços sociais. Em 2026, a OMS descreveu a situação como profundamente preocupante, com atrasos em cirurgias e riscos a pacientes oncológicos e gestantes.
Casos específicos ilustram impactos variados: no Irã, entre 2015 e 2018, a inflação caiu após o alívio de sanções; no Níger, em 2023, sanções da CEDEAO contribuíram para insegurança alimentar. O PMA aponta paralisação de voos humanitários e restrições de combustível como entraves à ajuda.
Eficácia e direitos humanos
A eficácia das sanções oscila: em média, atingem objetivos em cerca de um terço dos casos. Economistas destacam que mudanças políticas modestas tendem a responder melhor do que tentativas de derrubar regimes ou interromper guerras.
Há relatos de piora nos direitos humanos em diversos contextos, mesmo quando o objetivo seria proteger direitos. Em 2025, sanções contra organizações palestinas de direitos humanos foram alvo de críticas de organismos de proteção, que alertaram para riscos ao Estado de direito.
Conclusões indicadas pela pesquisa
Especialistas apontam que sanções unilaterais exigem revisão de estratégias, com ênfase em proteger populações vulneráveis. O estudo da Lancet sugere repensar o uso dessa ferramenta diante do peso de fatalidades associadas e da possibilidade de contornar restrições.
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