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Veja cria cadeia 100% brasileira para fabricar tênis e faturar R$ 1,79 bilhão

Veja constrói cadeia 100% brasileira para tênis, conectando floresta, cooperativas e fábricas; faturamento atinge R$ 1,79 bilhão em 2024

Cadeia produtiva da Veja conecta florestas, cooperativas e fábricas em diferentes regiões do Brasil (Divulgação)
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  • A Veja é uma marca brasileira, criada em dois mil e quatro por dois empresários franceses, que produz no Brasil mais de três milhões e meio de pares de tênis por ano com cadeia própria.
  • A borracha vem da Amazônia, o algodão orgânico do Ceará, o couro do Rio Grande do Sul e o PET reciclado de Minas Gerais, com foco em produção sustentável.
  • Em dois mil e vinte e quatro, a Veja faturou cerca de 280 milhões de euros, o que corresponde a aproximadamente 1,79 bilhão de reais.
  • A empresa mantém uma organização de várias etapas em paralelo, com coordenação entre florestas, cooperativas e fábricas, o que exige acompanhamento constante para não interromper o fluxo.
  • Além de produção, a marca lançou um documentário para mostrar a cadeia produtiva e planeja exibir o filme em eventos no Brasil, iniciando em Paris e chegando a São Paulo no dia sete de maio.

A Veja, marca brasileira de tênis criada em 2004, faturou cerca de 1,79 bilhão de reais em 2024, com 3,5 milhões de pares produzidos anualmente no Brasil. A borracha vem da Amazônia, o algodão do Ceará, o couro do Rio Grande do Sul e o PET reciclado de Minas Gerais.

Fundada por Sébastien Kopp e François-Ghislain Morillion, dois franceses, a marca nasceu após perceber condições de trabalho precárias em fábricas na Ásia, África e América do Sul. A resposta foi construir uma cadeia produtiva própria, com compra direta de produtores e menos intermediários.

Nilva da Cunha Lima é uma das trabalhadoras que fornecem borracha à Veja. Ela coleta látex na floresta e o leva para cooperativas locais, de onde o material segue para a produção industrial. O processo envolve várias etapas e requer coordenação entre áreas distintas.

Cadeia produtiva no Brasil

Em paralelo ao látex, o algodão orgânico do Nordeste é transformado em tecido por meio de fiação e tecelagem. O couro, com maior controle, segue sua própria cadeia. As etapas avançam em paralelo e se encontram no momento certo, segundo Luciana Batista Pereira, responsável pela cadeia.

Manter esse modelo ao longo do tempo não foi apenas fruto de crescimento. A Veja optou por uma cadeia própria desde o início, mesmo com mais etapas e complexidade. A empresa entende que esse modelo favorece controle e transparência sobre o produto final.

A produção cresceu de cerca de 5 mil pares em 2005 para 3,5 milhões em 2024, mantendo o foco na forma como é construída. Segundo Pereira, o segredo não está apenas no volume, mas na compreensão profunda do processo produtivo e das pessoas envolvidas.

Abrindo o Brasil ao mundo

A Veja operava no Brasil com o nome Vert, um movimento que visava mostrar a cadeia de produção por trás do tênis. Atualmente, a empresa busca ampliar a visibilidade do seu modelo para os mercados internacionais por meio de um documentário.

O documentário acompanha regiões do Brasil e etapas normalmente invisíveis ao consumidor. A intenção é reduzir a distância entre origem e produto final, oferecendo contexto sobre o que envolve a produção. Nilva destaca o valor social do trabalho na floresta.

O lançamento ocorreu em Paris, seguido de exibição em São Paulo no Theatro São Pedro, com sessão aberta ao público em 7 de maio, às 18h. O evento inclui painel com os fundadores da Veja e o diretor do documentário, Christophe Abric.

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