- O petróleo subiu quase cinquenta por cento desde o início do conflito entre EUA e Irã, após o Estreito de Ormuz ficar sob controle regional.
- O dólar caiu cerca de três por cento no mesmo período, apesar da percepção de risco, enquanto a bolsa brasileira oscilou, mantendo-se perto do positivo.
- A alta do petróleo pode pressionar inflação e juros, elevando o custo de crédito e de produção em diversos setores.
- No Brasil, o Ibovespa fechou em leve ganho, mas com volatilidade e insegurança associadas ao cenário político e à continuidade do choque do petróleo.
- Analistas destacam que, se o conflito se prolongar, o efeito na economia pode se ampliar para além da inflação, afetando atividade e crescimento.
A guerra entre Estados Unidos e Irã, que já dura dois meses, elevou o petróleo, derrubou o dólar e manteve a bolsa brasileira perto da estabilidade. O conflito impacta preços e juros, com efeitos que, segundo analistas, ainda estão por vir, especialmente pela ausência de avanços para negociação de paz.
O petróleo é o protagonista. O Irã, um dos maiores produtores, controla o Estreito de Ormuz, essencial para o escoamento global. Com o estreito sob controle do conflito, o preço do barril subiu quase 50%. A alta injeta inflação e pressiona políticas de juros.
A transmissão para o bolso das pessoas ocorre pela cadeia de produção. Combustíveis mais caros elevam custos de transporte, alimentos, roupas e insumos industriais. Além disso, fertilizantes e plásticos dependem do petróleo, ampliando o efeito inflacionário global.
No Brasil, a inflação mais alta pode levar o Banco Central a manter ou elevar os juros. O mercado já revisou a projeção da Selic para chegar a 13% no fim de 2026, ante expectativa de queda neste ano. Juros mais altos reduzem o crédito e afetam financiamentos.
A taxa de juros também influencia a bolsa. O Ibovespa teve leve ganho de 0,42% entre 2 de março e 27 de abril, mas o movimento foi volátil. Economistas divergem sobre a tendência: há ceticismo quanto a um rali forte, dados políticos e incertezas eleitorais.
Nos EUA, as bolsas reagiram com foco em resultados corporativos. O S&P 500 subiu 4,29%, a Nasdaq avançou 9,79% e o Dow Jones teve alta de 0,39%. Analistas destacam que a leitura passou a depender de balanços, não apenas de riscos da guerra.
O dólar caiu 2,95% desde o início do conflito, surpreendendo pela percepção de porto seguro. Embora o cenário fiscal americano pese, a deterioração institucional e a dívida pública ajudam a explicar a fraqueza da moeda, segundo economistas. O real deve oscilar com sinais da eleição no radar.
Perspectivas e incertezas seguem nos próximos meses. Se a guerra se prolongar, o efeito deve migrar da inflação para a atividade econômica, potencialmente gerando um cenário de estagflação, sinalizam especialistas. A evolução do Estreito de Ormuz e do julgamento de políticas de juros será decisiva.
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