- Exportações chinesas de veículos elétricos de duas rodas para o Sudeste Asiático cresceram no primeiro trimestre, impulsionadas pela elevação dos preços dos combustíveis e pela crise no Oriente Médio.
- Em Mianmar, as exportações subiram 617,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, para 64,7 milhões de yuans (US$ 9,5 milhões).
- Laos e Camboja também tiveram alta: +25,7% para 43,5 milhões de yuans e +34,2% para 38,2 milhões de yuans, respectivamente.
- A demanda tem sido estimulada pela escassez de combustível, com o setor de motos elétricas ganhando espaço por oferecer alternativa mais barata.
- Fabricantes chineses ampliam produção local e rede de concessionárias na região, com projeções apontando para impacto maior no médio prazo, especialmente no Vietnã, onde há planos oficiais de eletrificação até 2050.
As exportações chinesas de veículos elétricos de duas rodas para o Sudeste Asiático registraram aumento expressivo no primeiro trimestre, acompanhando a alta dos preços de combustíveis e a escassez gerada pela crise no Oriente Médio. A demanda vem se concentrando em mercados onde motos são o principal meio de transporte.
Entre os destaques, as exportações para Mianmar cresceram 617,5% na comparação anual, totalizando 64,7 milhões de yuans (US$ 9,5 milhões). Para Laos, houve alta de 25,7% e, para Camboja, 34,2%. Esses resultados refletem mudanças rápidas de consumo em função de tarifas energéticas elevadas.
Aumento na demanda em Mianmar está ligado a um rodízio de placas para veículos a gasolina, iniciado em 7 de março, que excluiu os elétricos. Uma concessionária local comprou 200 veículos e os vendeu rapidamente, segundo dados de uma fabricante chinesa.
Mercado e demanda
Laos também mostra sinais de mudança de comportamento. O governo reduziu o imposto sobre consumo de combustível em 18 de março e anunciou cortes de aulas universitárias para três dias por semana em 20 de março, para aliviar custos. No Camboja, aumentos de preços de gasolina, diesel e GLP, desde o início do conflito, também impulsionaram a procura por elétricas, segundo a Xinhua.
Um executivo de outra fabricante chinesa indicou expansão rápida da rede de concessionárias no Laos e no Camboja no primeiro trimestre. Analistas do setor sugerem que o volume real pode ser maior do que o registrado nos dados alfandegários, já que algumas empresas enviam kits desmontados para montagem local para usufruir de incentivos.
Perspectivas de longo prazo
Embora a crise do petróleo tenha acelerado as vendas de curto prazo, o futuro da eletrificação de motos na região permanece incerto. Um relatório da Guotai Haitong Securities aponta que, embora 15 milhões de motos tenham sido vendidas em nove países do Sudeste Asiático em 2025, a participação de modelos elétricos continua tímida.
A limitação tecnológica é citada entre os obstáculos. Baterias de chumbo-ácido reduzem custo, mas têm autonomia e durabilidade menores. Baterias de íon-lítio, por sua vez, elevam o preço e dificultam a adoção em massa.
Produção local e incentivos
Entre os países da região, o Vietnã tem a política mais avançada de eletrificação. Em 2022, houve um plano para eletrificar todos os veículos até 2050. Hanói estuda implementar, a partir de julho de 2026, uma zona de baixa emissão no Anel Viário 1, restringindo motos a gasolina em horários e áreas específicos.
Para explorar esse movimento, fabricantes chineses ampliam a produção local. O Grupo Yadea Holdings prioriza o Sudeste Asiático, com fábrica iniciada em Bac Giang (Vietnam) em 2019 e nova unidade em Bac Ninh anunciada para 2026, com capacidade de 1 milhão de unidades. Em 2025, a receita externa representou menos de 10% do total. A Tailg Group inaugurou fábrica em Hung Yen, com capacidade anual prevista de 350 mil unidades.
Entre na conversa da comunidade