- O presidente reeleito da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, assume novo mandato de quatro anos em meio a juros elevados, endividamento das famílias e cautela do comércio.
- O Banco Central reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, mas a entidade sinaliza que o patamar ainda é alto e espera que fechando o ano fique entre 13% e 13,5%.
- No Distrito Federal, cerca de oitenta por cento da população está endividada; 47% das famílias têm dívidas em atraso há mais de 68 dias e 20% estão endividadas sem condições de pagar.
- No Dia das Mães, empresários estão pessimistas: 60% esperam crescimento, ante 80% no ano anterior; o ticket médio caiu de R$ 245 para R$ 213; uso do Pix (29%) supera o cartão de crédito (37,5%) devido restrições de crédito.
- A Fecomércio defende a revitalização do Setor Comercial Sul com uso misto até trinta por cento residencial, abertura de unidades, atuação do Sesc e cooperação público-privada para retrofit da região, que tem boa mobilidade e importância econômica.
Recém-reeleito para mais quatro anos à frente da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire assume o novo mandato diante de um cenário econômico desafiador para o Distrito Federal. O setor terciário, que representa grande parte do PIB local, enfrenta juros elevados, endividamento familiar alto e cautela de consumo no comércio.
Em entrevista ao CB.Poder, Freire abordou impactos da queda da taxa de juros, perspectivas para datas importantes do varejo, investimentos em qualificação profissional e planos de revitalização de áreas estratégicas, como o Setor Comercial Sul. Também defendeu o BRB como patrimônio da capital.
Nesta quarta-feira, 30/4, o Banco Central reduziu a taxa básica, influenciando o endividamento das famílias no DF. O cenário de inadimplência afeta o consumo e o planejamento de lojas, mesmo com a queda recente da taxa, que segue em patamar elevado.
Cenário econômico no DF
A Fecomércio informa que cerca de 80% da população está endividada. Dado comum, porém, não é sinal de alerta definitivo; há, porém, 47% com dívidas em atraso acima de 68 dias e 20% com restrições de pagamento. Juro alto agrava esse cenário.
A queda da Selic para 14,5% ao ano é vista como positiva, mas continua desfavorável ao crescimento. Espera-se que a taxa possa ficar entre 13% e 13,5% até o fim do ano, ainda acima do desejado para estimular a atividade econômica.
Dia das Mães e comportamento do varejo
Para o Dia das Mães, o cenário se mostra menos promissor que o de anos anteriores. Dados do Fecomércio indicam recuo no otimismo: 60% dos empresários esperam crescimento, ante 80% no ano passado. O ticket médio caiu de 245 para 213 reais.
Mudanças no meio de pagamento chamam atenção: o Pix passou a liderar entre formas de pagamento, com 29%, substituindo o cartão de crédito. O endividamento elevado limita o uso de crédito disponível em muitos lares.
Revitalização do Setor Comercial Sul
A Fecomércio defende uso misto no Setor Comercial Sul, com até 30% da área destinada a moradia, desde que haja regras para evitar conflitos com atividades comerciais. A ideia é manter a vitalidade econômica sem comprometer a operação varejista.
No SCS, há ações como a instalação de mais de 200 novas atividades, duas unidades recentes e uma presença expressiva do Sesc, com foco em odontologia e atendimento a TEA. O Instituto Fecomércio também atua no setor.
Missões técnicas a Medellín, além de visitas a cidades nacionais, embasaram um projeto de revitalização do SCS. A proposta é apresentada ao governo do DF para adaptação e implantação, destacando a mobilidade da região.
BRB como instrumento estratégico
A Fecomércio ressalta a importância do BRB para programas sociais e serviços essenciais. A instituição administra bilhetagem de transporte público e folhas de pagamento de entidades do sistema, contribuindo para a economia do DF.
A entidade aponta o risco de liquidação do BRB, estimando impactos a cerca de um milhão de pessoas que dependem dessas operações. Em alternativa, avalia-se a recuperação da instituição, com aporte do FGC se necessário.
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