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Quem ganha e quem perde com a entrada em vigor do acordo EU-Mercosul

Com a entrada em vigor do acordo UE-Mercosul, setores de mineração e agropecuária ganham espaço exportador, enquanto indústria de transformação enfrenta maior concorrência europeia

Alguns setores serão amplamente beneficiados pelo aumento potencial de exportações e outros sofrerão concorrência forte de novos produtos que chegarão a menor custo no mercado interno; confira
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  • O acordo entre Mercosul e União Europeia entra em vigor nesta sexta-feira, 1º, com impactos variados para setores brasileiros.
  • Produtos da agroindústria e da mineração devem ganhar com ampliação de exportações; já itens da indústria de transformação enfrentam maior competição de produtos europeus a preços mais baixos.
  • Alguns itens terão isenção total de tarifas já no primeiro ano, como motores de aviões, certos químicos e medicamentos complexos, beneficiando o consumidor final e empresas que usam esses insumos.
  • A balança da indústria de transformação já registrou déficit de US$ 26 bilhões com a UE no passado; o movimento pode exigir ajuste estratégico para evitar aumento do déficit.
  • O Instituto Ipea prevê ganho de até 2% para a agroindústria em dezoito anos; os calçados, com queda gradual de tarifas, podem ser um destaque, com expectativa de aumento de até 3,2% para o setor.

O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul entra em vigor nesta sexta-feira, 1º. O objetivo é reduzir tarifas e ampliar o acesso de products brasileiros ao mercado europeu, ao mesmo tempo em que a indústria nacional enfrentará maior competição com insumos e produtos importados da UE. A expectativa é de ganhos setoriais, porém com desafios para alguns segmentos.

Peritos lembram que acordos comerciais privilegiam ganhos líquidos e reconhecem perdas setoriais. A avaliação considera que mineração e agropecuária devem se beneficiar com maior demanda externa, enquanto parte da indústria de transformação enfrenta maior competição interna e externa com tarifas mais baixas.

No radar dos especialistas, o saldo depende de como o Brasil gerencia a desindustrialização recente. Abertura de mercados pode exigir modernização de produção, melhoria de governança ambiental e trabalhista, além de aumento de competitividade para sustentar ganhos de exportação.

Balança comercial

Quem exporta para a UE acredita em ampliação de negócios e acesso a 27 países. A Abimaq destaca a possibilidade de investimentos europeus e intercâmbio de tecnologia, com 700 milhões de consumidores. Ainda assim, o déficit anterior com a UE acende alerta sobre a necessidade de política industrial interna.

Economistas enfatizam que a queda de tarifas em máquinas e equipamentos reduz custos de produção, porém aumenta a competitividade de importados no mercado brasileiro. A relação comercial no setor de transformação já apresentava déficit de US$ 26 bilhões no ano anterior.

Impactos disseminados

O Ipea estima que a agroindústria deve ganhar até 2% de expansão em 17 anos, sem prejuízos abrangentes para o conjunto de setores, embora alguns segmentos dentro de cada grupo possam sofrer perdas. Entre eles, equipamentos elétricos e de máquinas podem enfrentar retração.

Entre os segmentos, carnes de aves e suínos devem registrar o maior impulso, com crescimento previsto de 9,2%. Na indústria, calçados devem se beneficiar, com previsões de alta de até 3,2% e redução gradual de tarifas para zero em sete anos.

Pontos adicionais

O acordo prevê isenções de tarifas para itens sem produção local no Brasil, como motores de aviões, determinados químicos e medicamentos complexos, beneficiando consumidor final e empresas dependentes desses insumos, inclusive a Embraer. A entrada em vigor marca o momento de ajustes em cadeias produtivas e logística.

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