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Vida urbana precária eleva risco de doenças crônicas

Envelhecimento rápido aumenta a pressão das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) sobre o SUS, destacando a necessidade de planejamento urbano e prevenção

Faixa de poluição é vista do Edifício Itália, na região central da cidade de São Paulo: alertas de emissões acima do recomendado pela OMS são frequentes
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  • O envelhecimento rápido da população aumenta a pressão sobre o financiamento do SUS devido às doenças crônicas não transmissíveis.
  • Doenças crônicas de longa duração exigem acompanhamento contínuo e elevam custos com internações, tratamentos e serviços de saúde.
  • DCNT respondem por aproximadamente 75% das mortes no Brasil; na cidade de São Paulo, hipertensão atinge 58,5% entre pessoas com 60 anos ou mais e a multimorbidade chega a 40%.
  • Fatores urbanos, como mobilidade difícil, calçadas precárias, poluição e acesso restrito a dietas saudáveis, elevam o risco de DCNT.
  • Investir na Atenção Primária à Saúde e em planejamento urbano é essencial para reduzir riscos, detectar precoce doenças e evitar internações caras.

O envelhecimento da população brasileira tem suscitado debates sobre custos da saúde pública, mas não apenas sobre pensões. O texto analisa como o tratamento de doenças crônicas impacta o financiamento do SUS, mesmo em um sistema universal.

As Doenças Crônicas Não Transmissíveis DCNT ganham destaque como principal causa de mortalidade. Dados do Ministério da Saúde e da OMS indicam que cardiovascular, câncer, diabetes e doenças respiratórias respondem por cerca de 75% das mortes no país.

Na cidade de São Paulo, a ISA-Capital 2024 aponta hipertensão como a principal DCNT entre maiores de 60 anos, com 58,5% de prevalência. A multimorbidade, ou seja, duas ou mais DCNT, chega a 40% no grupo analisado.

As DCNT exigem acompanhamento contínuo e intervenções de alto custo, como internações por complicações, oncologia e diálises. O SUS sustenta a assistência de cerca de três quartos da população, impactando também Previdência e assistência social quando há perda de autonomia.

Aspectos urbanos ampliam ou reduzem riscos: infraestrutura deficiente favorece sedentarismo; poluição contribui para doenças cardíacas e respiratórias; além disso, a alimentação em áreas urbanas pode favorecer ultraprocessados. Essas condições moldam o perfil de risco.

Frentes de atuação passam pelo planejamento urbano, com mais áreas verdes, calçadas qualificadas, mobilidade ativa e transporte público eficiente. Tais medidas ajudam a reduzir fatores de risco e a evitar internações de alto custo.

A autora destaca ainda que fortalecer a Atenção Primária à Saúde é essencial. Equipes de saúde da família bem treinadas avançam diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e controle de fatores de risco, evitando complicações.

Segundo a pesquisadora Gabriela Vasconcelos, a sustentabilidade do sistema depende da combinação entre prevenção, planejamento urbano e atenção primária. O debate requer coragem política para avançar políticas públicas eficazes.

Conclui-se que reduzir o peso das DCNT depende de ações integradas: saúde, urbanismo e gestão orçamentária. A prevenção não é apenas sanitária, é também estratégica para a viabilidade do SUS nas próximas décadas.

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