- O governo deve anunciar o Desenrola 2.0, programa que permite usar o saldo do FGTS para quitar dívidas com descontos de até 90% para trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos.
- A estimativa do Ministério do Trabalho é de um impacto de R$ 4,5 bilhões no FGTS com a medida.
- A economista Juliana Inhasz alerta que o programa pode perder o caráter excepcional ao ocorrer em menos de três anos, tornando-se recorrente e gerando novas ondas de endividamento e inadimplência.
- Outra mudança é a restrição de acesso a sites de apostas esportivas por um ano para quem aderir ao Desenrola 2.0, medida que divide opiniões entre especialistas sobre o papel das apostas no endividamento.
- Inhasz aponta que o problema estrutural do endividamento no Brasil está ligado a baixa produtividade, renda e educação financeira, e que o programa não resolve essas questões de forma ampla, funcionando apenas como paliativo de curto prazo.
O governo deve anunciar oficialmente o Desenrola 2.0, programa que amplia o acesso ao FGTS para quitar dívidas com descontos de até 90%. O público-alvo terá renda mensal de até cinco salários mínimos, e o objetivo é estimular o consumo em meio a uma desaceleração econômica.
Segundo estimativas do Ministério do Trabalho, o impacto financeiro no FGTS deve ficar em torno de 4,5 bilhões de reais. A medida visa reativar o mercado e preservar empregos ao incentivar a quitação de débitos com condições mais favoráveis para o saldo disponível.
Especialistas apontam riscos, como a possível perda do caráter excepcional do programa. Com a repetição de uma renegociação em menos de três anos, há preocupação de que a população passe a ver o Desenrola como recurso permanente.
Riscos e impactos
A economista Juliana Inhasz, do Insper, alerta que o uso do FGTS pode comprometer a segurança financeira futura do trabalhador ao substituir renda presente por pagamento de dívidas. O efeito pode reduzir a poupança de longo prazo.
A professora também ressalta que a medida pode gerar novas ondas de endividamento e inadimplência, além de elevar margens de juros para bons pagadores. A avaliação é de que o programa não resolve, a longo prazo, causas estruturais do endividamento.
ARRESTRIÇÕES EQUESTÕES ADICIONAIS
Outra novidade anunciada é a proibição de acesso a sites de apostas esportivas por um ano para quem aderir ao Desenrola 2.0. A especialista frisa a necessidade de dados públicos que expliquem o papel das apostas nesse endividamento.
Inhasz aponta que os problemas estruturais do endividamento brasileiro envolvem baixa produtividade, renda insuficiente e pouca educação financeira, aspectos que o programa não aborda diretamente. Ela ressalta que o Desenrola funciona como paliativo de curto prazo.
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