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Inteligência artificial, mercado de trabalho e a reinvenção do Estado

IA pode reduzir despesas e aprimorar serviços, mas exige políticas para distribuir ganhos e evitar transição desorganizada no mercado de trabalho

Roberto Campos Neto
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  • A IA pode reduzir despesas e melhorar serviços, com mudanças rápidas e que afetam tanto o trabalho quanto a forma de o Estado entregar valor.
  • Estudo da Organização Internacional do Trabalho e do Banco Mundial aponta: entre 26% e 38% dos empregos na América Latina estão expostos à IA generativa, mas apenas 2% a 5% podem ser automatizados integralmente; entre 8% e 14% podem ter ganhos de produtividade.
  • Nos Estados Unidos, há indicativos de aumento de produtividade nos setores mais expostos; possíveis perdas de empregos seriam temporárias, e o desemprego entre jovens recém-formados tem aumentado.
  • No fim das contas, o impacto não é apenas nos empregos de baixa renda: na América Latina, trabalhadores urbanos formais e mais escolarizados também podem ser afetados; a maior preocupação é a transição desorganizada.
  • No Brasil, o BID aponta setores com alta demanda por habilidades de IA; há centenas de unidades de pesquisa na região; exemplos incluem ganhos de eficiência no Tesouro e uso da IA pela CGU para evitar contratos suspeitos; o Plano Nacional de IA prevê investimentos de até 23 bilhões de reais até 2028, com potencial de retorno fiscal.

No confronto entre tecnologia e trabalho, a IA é vista como motor de mudanças rápidas e transversais. Estudos indicam que impactos podem ocorrer tanto pela redução de custos quanto pela melhoria na entrega de serviços públicos. O tema envolve o Estado e o mercado.

A OIT e o Banco Mundial estimam que entre 26% e 38% dos empregos na América Latina estão expostos à IA generativa, mas apenas 2% a 5% correm risco de automação total. Em contrapartida, 8% a 14% podem registrar ganhos de produtividade.

Nos EUA, pesquisas apontam aumento de produtividade nos setores mais expostos e perdas de emprego potencialmente temporárias. Já na região, trabalhadores urbanos, formais e mais escolarizados são os mais vulneráveis; a transição não pode ser desorganizada.

Mudança de cenário: desigualdades e oportunidades

Larry Fink, da BlackRock, destaca que o valor criado pela tecnologia tende a ficar com quem a controla, aprofundando desigualdades se a produtividade não for distribuída. Isso exige políticas que acompanhem o ritmo da inovação.

Para a América Latina, o FMI sugere que a IA pode elevar a produtividade do setor formal e reduzir a informalidade. O desafio é adotar a tecnologia de forma desigual e oportuna, para evitar perdas acumuladas.

Brasil: potencial, investimentos e avanços

No Brasil, setores com maior demanda por habilidades ligadas à IA incluem serviços profissionais, informação, manufatura e governo. O país já conta com cerca de 144 unidades de pesquisa dedicadas ao tema, entre os mais ativos da região.

Casos concretos ilustram ganhos de eficiência. O Tesouro reduziu de 1000 para 8 horas uma classificação orçamentária, com 97% de acurácia, usando redes neurais. A CGU aponta que a Alice evitou 11,7 bilhões em contratos suspeitos.

O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê investimentos de 23 bilhões até 2028. Se apenas parte desses recursos reproduzir ganhos já verificados, o retorno fiscal tende a ser relevante e de longo prazo.

Olhando para o futuro da governança

Analistas dizem que a IA pode contribuir para reduzir despesas e melhorar serviços, fortalecendo a credibilidade do Estado. Essa combinação pode favorecer uma gestão mais eficiente sem abrir mão da responsabilidade fiscal.

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