- O MST, representado por João Pedro Stédile, teme que o acordo UE-Mercosul prejudique a agricultura familiar, especialmente produtores de laticínios no Sul e em Minas Gerais, com os termos provisórios vigentes desde o dia 1º.
- A crítica é de que a livre competição pode favorecer grandes exportadores e criar competição desleal para pequenos produtores contra marcas estrangeiras, impactando o setor no curto a médio prazo.
- Em relação às nomenclaturas, o Brasil conseguiu manter o uso de nomes como parmesão e gorgonzola para produtores que já comercializavam, enquanto feta, roquefort e comté precisam ser renomeados.
- O acordo impõe cotas para laticínios, com leite em pó limitado a 10 mil toneladas até 2036 (com redução gradual) e queijos maturados a 30 mil toneladas, mantendo a maior importação vinda de Argentina e Uruguai.
- Analista aponta que a especialização da produção leiteira tende a reduzir o número de fazendas, fortalecendo grandes operações e elevando a eficiência, o que pode ampliar a concentração rural no Brasil.
O líder do MST, João Pedro Stédile, expressou preocupação com o impacto do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia sobre produtores da agricultura familiar. Os termos provisórios entraram em vigor na sexta-feira, 1º, conforme informações veiculadas pelo SBT News.
Stédile afirmou que o efeito será mais intenso para pequenos produtores de laticínios no Sul do Brasil e em Minas Gerais, polos centrais do mercado de queijos. Segundo ele, cooperativas pequenas podem sofrer prejuízos no médio e longo prazo conforme o acordo avança.
Ele citou ainda que a importação de laticínios deverá aumentar, com riscos de competição desleal para a produção interna. Alega que o acordo pode restringir o uso de nomes tradicionais de queijos por produtores brasileiros.
Como ficam as nomenclaturas
O texto do acordo permite, sob condição de Indicação Geográfica, que muitas tradições nacionais mantenham nomes de queijos conhecidos. A flexibilização vale para itens com histórico de uso até datas de corte específicas. Produtos como feta, roquefort e comté precisarão ser renomeados.
Concentração e especialização no setor
Especialistas apontam que já havia pressão por maior especialização na produção de leite, com foco em qualidade sanitária e eficiência. O recorte é de que o Brasil poderia reduzir o número de fazendas e aumentar o tamanho médio das propriedades, segundo análises da Embrapa.
Mercosul e importações de lácteos
A crise de desabastecimento de 2022 levou o Brasil a ampliar importações de Argentina e Uruguai, especialmente de leite em pó e mussarela. Mesmo com estabilização interna, o padrão de importação persiste, pressionando o mercado local.
Cotas previstas no acordo
O leite em pó terá quota de 10 mil toneladas, com início de vigência em 2036 e redução gradual de tarifas; a média atual de importação mensal é de 10 mil a 15 mil toneladas. Em relação aos queijos, a cota é de até 30 mil toneladas, o que deve afetar sobretudo queijos maturados finos.
Impacto futuro e oportunidades
Especialistas entendem que o acordo pode acelerar a integração produtiva do país e a eficiência das fazendas, além de abrir espaço para produtos nacionais nos mercados da UE. Será necessário investir em sanitização, manejo, bem-estar animal e redução de pegada de carbono.
Atenção aos padrões globais
A entrada de produtos europeus é prevista, mas o acordo também demanda que o Brasil eleve padrões de qualidade para competir. O setor espera que as mudanças contribuam para a profissionalização e para ampliar a presença de itens como queijos artesanais nacionais nas prateleiras internacionais.
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