- A Petrobras anunciou reajuste de dezoito por cento no preço médio do querosene de aviação para as distribuidoras, válido desde ontem.
- O aumento eleva o custo do QAV em cerca de um real por litro em relação ao mês anterior e acumula alta de cem por cento no principal gasto das companhias aéreas.
- A estatal manterá a possibilidade de parcelar parte do reajuste em seis vezes, com a primeira parcela prevista para julho de 2026.
- A Abear afirmou que o reajuste eleva em cem por cento o maior item de custo do transporte aéreo e pode impactar a conectividade do país, citando o peso do QAV na operação.
- Analistas apontam que os reajustes já ocorridos podem pressionar o IPCA, com efeitos esperados nos próximos meses, devido à importância do combustível para o setor e à inflação.
O preço médio do querosene de aviação (QAV) comercializado pelas distribuidoras foi reajustado pela Petrobras em 18%, com efeito imediato na terça-feira. O ajuste eleva o preço em cerca de R$ 1 por litro em relação ao mês anterior, em meio a pressões de preços do petróleo no mercado externo provocadas pelo conflito no Oriente Médio.
A Petrobras repetiu a estratégia de abril e manteve a opção de parcelar parte do reajuste em até seis vezes, com a primeira parcela prevista para julho de 2026. A estatal argumenta que a medida busca preservar a demanda pelo combustível e reduzir impactos ao setor aéreo brasileiro, diante de um cenário considerado excepcional.
Segundo a Abear, o novo aumento eleva em 100% o principal custo operacional das companhias aéreas. A associação aponta que o QAV representa quase metade dos gastos das empresas, com impactos significativos na conectividade do país. Em pesquisa, a agência responsável pelo setor aponta variações de custo entre 30% e 40% por rota.
Dados da consultoria indicam que, no mês passado, houve um reajuste de 54% no QAV, elevando o peso do combustível entre 40% e 45% dos custos. Com o novo reajuste, analistas projetam que a participação do QAV nos custos pode subir ainda mais, aumentando a pressão sobre tarifas e margens.
Economistas destacam que o combustível tem peso relevante no IPCA, o índice oficial de inflação. O reajuste de 18% pode contribuir com aumento de 0,1% a 0,2% no indicador, caso seja repassado integralmente. A perspectiva de inflação permanece pressionada pela volatilidade do petróleo e por fatores sazonais.
Especialistas ressaltam que a incerteza no conflito no Oriente Médio indica possibilidade de novos reajustes no curto prazo, o que pode manter a inflação sob pressão e impor desafios à política monetária. O Copom recentemente reduziu a Selic, mas analistas alertam para cenários de ajuste adicional diante de choques de custos.
Conforme a Abicom, a defasagem entre preços internos e internacionais de combustíveis permanece acentuada, dificultando a formação de preços no mercado doméstico. A recente combinação de reajustes e medidas governamentais estimula atenções sobre a inflação e a resposta da política econômica.
No cenário externo, o petróleo Brent abriu maio com queda, fechando próximo de US$ 108 por barril. Mesmo com a recuperação recente, o preço ainda se mantém acima de US$ 100, sustentando pressões sobre custos logísticos e tarifas aéreas no Brasil. (Agência Estado)
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