- A CVM acusa a Reag de ocultar à autarquia a identificação de cotistas com mais de 20% do patrimônio líquido dos fundos que administrava, muitos de cotista único, ligados à operação Carbono Oculto.
- Ainda conforme o processo, a gestora prestou informações incorretas sobre a liquidez dos fundos e não realizou testes de estresse, prática exigida pela regulamentação.
- Os fundos citados são Reag Alpha, Bravo 95 e Latache Crédito Estruturado 95; outros fundos da Reag também estariam na mesma situação segundo os ofícios da CVM.
- Entre dezembro de 2023 e outubro de 2024 houve recorrentes pedidos de saque superiores ao patrimônio líquido, como o caso do Reag Growth, que recebeu saques de 23,6 milhões em setembro de 2025, apesar de informar PL de 106,6 mil.
- O Hans 95, um multimercado no exterior, é apontado como único cotista do Reag Alpha e está sob investigação na Carbono Oculto; a CVM também aponta falhas de auditoria e de regularidade na prestação de informações pela Reag.
A gestora Reag é acusada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de ocultar cotistas com participação superior a 20% do patrimônio líquido de fundos que administrava, entre dezembro de 2023 e outubro de 2024. A prática envolvia fundos com cotista único e ficou ligada à Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal. A CVM aponta ainda informações falsas sobre liquidez e a falta de testes de estresse.
Entre os fundos citados estão o Reag Alpha, de ações; o Bravo 95, fundo de fundos; e o Latache Crédito Estruturado 95, multimercado. A CVM indica que outros fundos da Reag também estavam na mesma situação, segundo o termo de acusação obtido pelo Valor.
A irregularidade mais recorrente envolveu pedidos de saques superiores ao patrimônio líquido, apresentados à CVM entre 2023 e 2024. Em setembro de 2025, o Reag Growth recebeu saques de 23,6 milhões de reais, mesmo informando PL de apenas 106,6 mil reais.
A Reag informou à CVM ter detectado uma “inconsistência operacional” que levou ao cancelamento de alguns pedidos, ainda que o valor permanecesse na carteira. Além disso, a CVM aponta que a Reag avaliou como líquidos ativos no papel da própria empresa (NINJ3) valores incompatíveis com o volume negociado na B3, além de cotas de FIDCs com liquidez baixa.
O regulador também acusa a Reag e seu ex-diretor, Ramon Pessôa Dantas, de registrar fundos com apenas um cotista como não exclusivos e de não disponibilizar informações obrigatórias no prazo previsto. A CVM afirma ainda que houve necessidade de esforços adicionais para obter dados do Hans 95, incluindo a identificação de cotistas relevantes e o início de testes de estresse de liquidez.
O Hans 95, multimercado que investe no exterior, era o único cotista do Reag Alpha e integra o ecossistema envolvendo o Banco Master. O fundo chegou a ter, até 4 de abril, cerca de 35,3 bilhões de reais em patrimônio líquido, caindo para 27 bilhões em 9 de abril, segundo a CVM. As operações com o Reag Growth teriam contribuído com fluxos bilionários no Master durante o período de irregularidades.
Criado em 2018, o Hans 95 não teve auditoria com parecer desde o seu nascimento, com ressalvas em 2019 e, a partir de 2020, sem opinião de auditor independente por problemas de carteira e governança. As irregularidades são descritas pela CVM como uma prática que se repetiu ao longo dos anos, tendo sido alvo de alertas e compromissos de correção desrespeitados pela gestão.
A Reag não comentou o processo quando procurada pela reportagem. A defesa do ex-diretor Ramon Pessôa Dantas também não respondeu. A CVM mantém o processo sancionador em andamento para apurar as responsabilizações.
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