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Países podem enriquecer exportando pessoas em vez de mercadorias?

Remessas do Golfo elevam o padrão de vida em Kerala, porém não elevam a produtividade, alimentando debate sobre enriquecer exportando pessoas

Desfile de elefantes decorados durante festividades em Kerala, na Índia: estima-se que 1,7 milhão de pessoas do Estado vivam no Golfo, o que equivale a 5% da população local e quase a 11% de sua força de trabalho
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  • Em Kerala, remessas do Golfo impulsionaram o desenvolvimento do estado, mas expõem limites de um modelo baseado na migração de pessoas.
  • Cerca de 1,7 milhão de habitantes de Kerala vivem no Golfo, equivalentes a 5% da população e quase 11% da força de trabalho.
  • Remessas chegaram a representar, em meados dos anos 2010, cerca de um quarto da produção do estado, elevando consumo per capita e reduzindo a pobreza multidimensional.
  • Pesquisas sobre migração apontam efeitos mistos: podem acelerar o crescimento ao ampliar o capital humano, mas também perpetuar problemas que levam à emigração; o impacto sobre o PIB per capita varia.
  • No caso de Kerala, impactos indiretos são modestos: alta escolaridade e longevidade, mas dificuldade de atrair investidores devido a políticas locais e sindicatos, com remessas majoritariamente gastas em casas e carros, não em produtividade.

O artigo analisa se enriquecer exportando pessoas, não mercadorias, seria viável para Kerala, na Índia. O estudo destaca que remessas do Golfo transformaram o Estado, mas expõem limites de um modelo baseado na migração.

Kerala abriga cerca de 1,7 milhão de seus moradores no Golfo, quase 11% de sua força de trabalho. Remessas atingiram cerca de um quarto da produção estadual em meados dos anos 2010, superando o valor agregado da indústria e os gastos públicos.

O ganho de vida é evidente: o consumo per capita está bem acima da média nacional. Ainda assim, o modelo depende da migração para sustentar o nível de renda, o que cria vulnerabilidade a choques externos, como políticas de importação de mão de obra no Golfo.

Impactos econômicos de remessas

Em busca de entender se exportar pessoas pode sustentar o crescimento, a The Economist compara casos globais de migração. Em Honduras, Líbano, Nepal e Tadjiquistão, as remessas respondem por parcela significativa da renda.

No Nepal, há indicações de redução da pobreza entre 2001 e 2011, enquanto no México ocorreram quedas na mortalidade infantil. Contudo, o efeito sobre o PIB per capita varia e nem sempre é claro ou direto.

Estudos recentes sugerem efeitos econômicos mais complexos. Um trabalho de 2013 indicou ganho de 0,13% no PIB per capita com aumento permanente de remessas. Em 2022, o efeito foi de cerca de 0,66%. Já um estudo do Centro para o Desenvolvimento Global não encontrou relação clara entre o tamanho da diáspora e o crescimento.

Limites de Kerala e aprendizados globais

Os economistas destacam que emigrar pode ampliar o capital humano local, desde que haja aproveitamento interno. Caso contrário, pode perpetuar problemas que impulsionaram a migração. Em Kerala, avanços em alfabetização e longevidade coexistem com dificuldades para atrair investimentos.

Novos movimentos sugerem que a migração de profissionais pode gerar exportações de serviços, como tecnologia da informação, mesmo sem deslocamento físico. Em Kerala, porém, a presença de sindicatos fortes e políticas econômicas específicas dificulta a atração de investimentos empresariais.

Empresas locais enfrentam altas expectativas salariais e competição com mercados mais amigáveis a negócios. Como consequência, muitas empresas escolhem instalar-se em regiões vizinhas, como Tamil Nadu, mantendo projetos menores no Estado.

Considerações finais

O estudo aponta que a riqueza gerada por remessas pode elevar o padrão de vida, mas não necessariamente ampliar a produtividade. O equilíbrio entre migração, capital humano e investimento doméstico determina o alcance do benefício econômico.

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