- Aguinaldo da Guiana: US$ 761 milhões em receitas petrolíferas no primeiro trimestre, maior valor trimestral desde o início da produção comercial.
- O ganho foi impulsionado pelo aumento do preço do petróleo com a guerra no Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, com o barril Brent subindo de US$ 72 para acima de US$ 125.
- Parte das exportações guianenses tem destino europeu, que já respondia por 66% em 2024 e chegou a 75% em janeiro de 2025; EUA também compra boa parte do petróleo.
- A produção da Guiana vem do Bloco Stabroek, liderado pela ExxonMobil com Chevron e CNOOC, atingindo média de 716 mil barris por dia em 2025 e acima de 900 mil bpd em fevereiro; meta é chegar a 1,7 milhão de bpd até 2030.
- O país não tem refinarias próprias, exporta petróleo cru e importa combustíveis; há planos de desenvolver refinaria local para reduzir vulnerabilidade a variações de preço.
O governo da Guiana registrou receitas petrolíferas de US$ 761 milhões no primeiro trimestre, o maior valor trimestral desde o início da produção comercial de petróleo no país. A alta está ligada ao reajuste dos preços do petróleo impulsionado pela guerra no Irã.
A imprensa internacional aponta que a receita semanal de venda de petróleo da Guiana subiu de US$ 370 milhões para US$ 623 milhões desde o começo do conflito, um salto de 68%. A informação é atribuída à revista The Economist.
A escalada dos ganhos ocorre mesmo com o Estreito de Ormuz em disputa entre Irã e EUA, o que elevou o preço do barril Brent para acima de US$ 125 no pico recente, ante US$ 72 antes da guerra.
Ormuz permanece bloqueado por Irã e EUA, influenciando o preço global do petróleo e ampliando a rentabilidade das exportações guianenses, especialmente quando os fluxos europeus buscam suprir cortes de fornecimento.
A Europa, que já recebia o petróleo guianense com prêmios, continua como destino relevante, com 66% das exportações em 2024 e 75% em janeiro deste ano, segundo dados do portal OilNOW. A tendência é de maior demanda.
Para o consultor Marco Aurélio da Silva, o ganho não é apenas momentâneo: segundo ele, o petróleo guianense combina baixo custo de extração e menor intensidade de carbono, atendendo a demandas de qualidade e segurança. A opinião é baseada em observação de mercado.
A Guiana também se beneficia ao divertir a presença de grandes players, com ExxonMobil liderando o consórcio do Bloco Stabroek, associado a Chevron e CNOOC. Esses acordos ampliam a produção e a participação governamental nos ganhos.
Mesmo com o crescimento, o país não tem refinarias próprias para transformar o petróleo em derivados. Toda a produção do Bloco Stabroek é exportada em bruto, o que aumenta a dependência de importações de combustíveis, principalmente dos EUA.
Em abril, a Guiana enfrentou escassez temporária de combustível, levando o primeiro-ministro Irfaan Ali a anunciar cronogramas de entrega de navios e pedir que a população evite estoque excessivo. O país mira a construção de refinarias locais.
A produção guianense subiu para 716 mil barris/dia em 2025 e passou de 900 mil para fevereiro deste ano, tornando-se o terceiro maior produtor da América do Sul, atrás apenas de Brasil e Venezuela, segundo Bloomberg. O avanço ocorre principalmente no Bloco Stabroek.
Entre os efeitos econômicos, o FMI projeta crescimento de 16,2% para 2025, e o Banco Mundial aponta 16,3% para este ano, com melhora na renda nacional e dependência menor de fatores externos. A Guiana tem sido descrita como uma economia em rápido amadurecimento.
A expectativa para o futuro envolve ampliar a participação do governo na renda do petróleo, que hoje fica em torno de 14,5% por contrato com o consórcio. Com ajustes, a fatia pública pode chegar a cerca de 50% no horizonte, conforme previsão de analistas.
A estratégia de diversificação energética também é tema de debates internos. O governo avalia a necessidade de desenvolver uma indústria de refino para reduzir a importação de combustíveis e estabilizar preços domésticos.
O impulso geopolítico resultante do crescimento guianense coloca o país no centro de debates sobre segurança energética na região, especialmente diante da presença de investidores americanos e chineses no setor.
Enquanto a Guiana avança, o Brasil observa impactos no Sudeste e no Norte, com possíveis lições sobre agilidade regulatória, previsibilidade e aproveitamento de bacias já mapeadas, como a Margem Equatorial, para reduzir custos e ampliar ofertas.
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