- A gestora Charles River, acionista minoritária da Tupy com 5,4% do capital, recomenda a reprovação das contas de 2025, alegando indícios de infração aos deveres fiduciários e que BNDESPar e Previ atuaram de forma coordenada, exercendo controle efetivo da empresa.
- Charles River afirma que as entidades públicas somam 57,7% do capital e deveriam ser consideradas controladoras da Tupy, o que impactaria a eleição de representante de minoritários no conselho fiscal.
- A Tupy informou que as eleições do conselho fiscal seguem a legislação e a BNDES afirmou que a ilação não procede, lembrando que a empresa deixou de ter acionistas controladores em janeiro de 2023; a Previ não comentou.
- Entre as supostas irregularidades, a gestora cita indícios de infração ao dever de diligência, sigilo, lealdade e de informar, especialmente relacionados à indicação de Rafael Lucchesi como CEO, que renunciou em março.
- A assembleia anual detalhou que o prejuízo líquido de 2025 foi revisado para R$ 656,8 milhões, a ser absorvido pelas reservas de lucros, e não haverá distribuição de dividendos.
A gestora Charles River, acionista minoritária da fabricante de motores Tupy, pediu a reprovação das contas de 2025 por possível violação de deveres da administração. O relatório, obtido pela Folha, aponta indícios de infração a deveres fiduciários e acusacoordenação entre BNDESPar e Previ, que detêm 57,7% do capital.
Segundo o documento, a atuação conjunta de BNDESPar (30,7%) e Previ (27%) sugere que as duas entidades públicas deveriam ser consideradas controladoras da Tupy. O pleito envolve ainda o direito de eleger representante dos minoritários no conselho fiscal, visto como ferramenta de fiscalização da gestão dos controladores.
Charles River detém 5,4% da Tupy. A administração da empresa afirma manter transparência nas assembleias e que os processos de eleição do conselho fiscal estão em conformidade com a lei. O BNDES rebate as alegações, afirmando que a Tupy não tem acionistas controladores desde janeiro de 2023. A Previ não comentou.
Controvérsia sobre controle e governança
A carta da Charles River sustenta que a gestão toma decisões contrárias aos interesses da empresa e mantém aparência de independência que não condiz com os fatos. A fundista sustenta que a Tupy é efetivamente controlada de forma coordenada por BNDESPar e Previ, o que impacta os direitos dos minoritários.
A eleição separada do conselho fiscal, principal demanda da investidora, foi descartada pela administração. A Tupy informou que, desde 1º de janeiro de 2023, não possui acionistas controladores e que, por isso, a eleição em separado não se aplica à Lei das S/A.
Entre as supostas infrações, a gestora aponta indícios de violação aos deveres de diligência, lealdade e sigilo, com foco na indicação de Rafael Lucchesi como CEO. Lucchesi renunciou em março, menos de um ano após assumir o posto.
A ata também registra que a BNDESPar poderia ter recebido informação confidencial sobre o término do contrato de um ex-diretor-presidente, o que facilitaria a indicação de sucessor antes de o tema tornar-se público. Há ainda críticas à experiência do indicado para a liderança da empresa.
O BNDES já indicou nomes de ministros para o conselho da Tupy, como Anielle Franco e Carlos Lupi, que deixaram os cargos em 2025. A entidade afirma seguir a regulação da Lei das S/A na indicação de membros do conselho.
Outro ponto destacado envolve a necessidade de esclarecer a relação de coligação entre BNDESPar e Previ no comando da Tupy, para evitar interpretações erradas sobre governança.
Na assembleia, a Tupy revisou o prejuízo líquido de 2025 para 656,8 milhões de reais, a ser absorvido com reservas de lucros. Sem distribuição de dividendos, a empresa registra impactos financeiros significativos para o exercício.
Fontes: documentos da Charles River, posicionamentos da Tupy, BNDES e Previ.
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