- Hyperscalers devem investir cerca de US$ 646 bilhões em infraestrutura digital em 2026, o equivalente a aproximadamente 2% de toda a economia dos Estados Unidos.
- Estimativas associadas à Apollo indicam cerca de US$ 930 bilhões em investimentos em data centers ao longo de seis anos, volume que supera grandes programas históricos.
- Relatório da UNCTAD aponta que data centers representaram cerca de um quinto de todos os projetos greenfield em 2025, com investimentos em novos data centers de US$ 270 bilhões nesse ano.
- No Brasil, a não aprovação do Redata, caducidade da MP 1.318/2025 e atraso do PL 278/2026 criam insegurança para investimentos de longo prazo.
- A Camex elevou a alíquota de importação de equipamentos para data centers, e não há coordenação do Confaz para reduzir o ICMS sobre processadores de alta capacidade, elevando custos e atrasos.
O Brasil observa uma janela histórica para infraestrutura de IA, com investimentos globais em data centers e tecnologia da informação em ritmo acelerado. Estimativas indicam quase US$ 1 trilhão em planejamento mundial, em especial para hyperscalers, em 2026. O volume sinaliza mudança de eixo econômico, com peso similar ao PIB de alguns países.
Dados da Apollo Global Management apontam investimentos de cerca de US$ 646 bilhões em infraestrutura digital em 2026 apenas nos EUA, equivalente a 2% da economia. Em termos de data centers, a projeção é de US$ 930 bilhões em seis anos, superior a grandes programas históricos.
Relatórios da UNCTAD, de janeiro de 2026, indicam que data centers responderam por cerca de 1/5 dos projetos greenfield globais em 2025, com US$ 270 bilhões aplicados nesse setor naquele ano. A leitura é de aceleração da corrida por capacidade computacional.
Oportunidade brasileira e entraves regulatórios
O Brasil reúne condições para participar do movimento, com matriz elétrica renovável, território disponível, conectividade e mercado consumidor. No entanto, permanece à margem devido a fatores institucionais e regulatórios.
A não aprovação do Redata pelo Congresso, regime proposto para atrair investimentos em data centers, sinaliza insegurança jurídica para projetos de longo prazo. A MP caducou e o PL permanece parado no Senado.
Além disso, a Camex elevou a alíquota de importação de equipamentos usados em data centers para até 25%, encarecendo a implementação de infraestrutura no país. O efeito contrasta com tendências globais.
A ausência de coordenação no Confaz para reduzir o ICMS sobre importação de processadores de alta capacidade amplia o custo de capital. Com isso, a carga tributária recai sobre investimentos estratégicos no setor.
A combinação de inação regulatória e tributária eleva custos, retarda decisões e envia sinais conflitantes ao mercado. Sem avanços no Redata e sem revisão fiscal coordenada, o Brasil pode perder a atual onda de investimentos.
Caminhos possíveis
Observa-se que a prioridade reside em ações rápidas e coordenadas entre governo federal, estados e setor privado. Acelerar a tramitação de propostas e reduzir a carga tributária sobre insumos-chave é apontado como essencial para competitividade.
Especialistas destacam a necessidade de regras claras para o planejamento de longo prazo, previsibilidade regulatória e incentivos compatíveis com o ritmo mundial. A competição por capacidade computacional já acontece globalmente.
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