- Economistas apontam que a inflação de alimentos pode subir novamente em 2026 e 2027, pressionando a meta do Banco Central.
- O aperto vem além dos fertilizantes mais caros e dos combustíveis, com o El Niño forte sendo uma possibilidade que pode elevar o IPCA no biênio.
- Itens de alimentação com maior peso no IPCA incluem carnes, peixes, aves, ovos, leite e derivados, além de panificados e óleos e gorduras, conforme estudos citados.
- O impacto pode variar em dois a quatro meses para alguns itens, e cinco meses ou mais para outros, dependendo do tempo de repasse do choque nos preços.
- Especialistas alertam que, se o El Niño for forte e houver déficits hídricos e de câmbio, a inflação de alimentação pode alcançar patamares elevados ainda neste ano e gerar risco para 2027.
A pressão inflacionária no setor de alimentação pode aumentar por fatores ligados a fertilizantes, petróleo e clima, sugerem economistas. A dosagem de riscos aponta para uma alta de alimentos nos próximos dois anos, complicando a meta do BC. O estudo considera impactos desde o custo de insumos até eventos climáticos como El Niño.
A alta de fertilizantes, agravada pela guerra entre EUA e Irã, já eleva custos de produção. Além disso, oscilações no petróleo aceleram o repasse de custos para carnes, laticínios e itens de panificação, elevando o peso do grupo de alimentação no IPCA.
Quando se analisa o cenário, há a possibilidade de El Niño forte em 2026, que ocorreria junto ao período seco do Sudeste. Em cenários extremos, isso pode aumentar a inflação do IPCA em até 2 pontos percentuais no biênio.
Onde as consequências aparecem com mais força? No dia a dia de consumo, já que a alimentação representa cerca de 21% do IPCA, com maior participação entre famílias de menor renda. A ponderação pode subir ainda mais com o repasse de custos.
Quem fala sobre o tema aponta impactos diferenciados entre itens. Carnes, peixes, aves, ovos e leite aparecem como os mais sensíveis ao preço do petróleo, com repasses rápidos já em meses.
Riscos e desdobramentos
A agenda de inflação aponta que os efeitos de fertilizantes devem se concentrar mais em 2026, elevando o desafio para o BC. Em 2027, o impacto pode se acentuar caso a safra sofra choques adicionais.
Especialistas também destacam cenários de longo prazo: se o El Niño for forte, a inflação de alimentos pode alcançar patamares altos no curto prazo, com efeitos adicionais em índices menores de renda.
Alguns institutos estimam que, sem o clima extremo, a inflação de alimentação tende a manter ritmo próximo de 5% em 2026 e pode subir em 2027, dependendo da evolução dos fertilizantes e da guerra.
Outras análises apontam que culturas com safras de curto ciclo podem reagir rapidamente a choques, elevando a pressão em itens como legumes, verduras e frutas no segundo semestre.
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