- Delação premiada de Daniel Vorcaro ainda não está concluída após mais de um mês desde o acordo de confidencialidade, segundo a defesa.
- Vorcaro não revelou todos os dados sobre o destino dos recursos desviados nem quem seriam possíveis laranjas; PF busca nomes de autoridades nos três Poderes.
- A demora pode beneficiar o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, que pediu acordo de delação e busca acelerar as negociações.
- Investigações apontam que o Banco Master criou carteiras de crédito sem lastro; Vorcaro foi preso, solto e voltou a ser preso, e é investigado por liderar uma “milícia pessoal”.
- PF não descarta novas fases da operação; perícia de oito celulares e outros aparelhos de Vorcaro ainda não foi concluída, e o ministro André Mendonça prorrogou o prazo da apuração.
O depoimento premiado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ainda não caminhou conforme o esperado após assinatura de confidencialidade com a PF e a PGR. Passou de um mês sem conclusão das negociações para apresentação de informações essenciais.
A defesa do banqueiro não conseguiu, até o momento, fornecer todos os dados necessários para a investigação. Não foram apresentados, ainda, os detalhes sobre o destino dos recursos supostamente desviados nem as identidades dos possíveis laranjas.
A PF também aguarda a identificação de todas as autoridades supostamente envolvidas com o Master, que envolveriam os três Poderes da República. A demora aumenta a expectativa sobre o desfecho da colaboração.
Corrida pela delação
A espera pode favorecer a participação de outro colaborador relevante: Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Em 28 de abril, ele encaminhou ao STF o interesse em firmar acordo de delação premiada e solicitou transferência da Papuda para acelerar as conversas.
Costa foi preso sob a acusação de receber propina de 146 milhões de reais para favorecer o Master em negócios com o BRB. A atuação conjunta entre PF e PGR visa assegurar acordos de delação sem poupar envolvidos.
O processo depende de provas substanciais, como documentos, vídeos e registros que corroborem as declarações. É a primeira vez no país que as duas instituições unem esforços em uma delação compartilhada.
Caso Master
O Banco Central decretou a liquidação do Master em novembro de 2025 por insolvência e violações ao sistema financeiro. A PF iniciou a operação Compliance Zero na mesma época, com foco em carteiras de crédito sem lastro.
Vorcaro foi preso preventivamente em março, liberado e novamente detido, sob investigações que também o apontam como líder de uma suposta “milícia pessoal” para intimidar adversários e agentes públicos. Ele está preso na Superintendência da PF em Brasília.
Nessa fase, a PF identificou que a milícia poderia atuar para coagir testemunhas e influenciar a apuração. A defesa de Vorcaro não respondeu ao questionamento sobre o acordo; o espaço continua aberto.
Fonte: Metrópoles.
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