- A Organização Marítima Internacional aprovou um valor padrão de 20,8 gramas de CO₂ equivalente por megajoule para o etanol de milho brasileiro produzido na safrinha, o primeiro biocombustível desse tipo a ter pegada de carbono definida pela entidade. O referência para o bunker fuel é de 93,3 g CO₂e por MJ.
- A decisão, aprovada pelo Comitê de Proteção do Meio Marinho da IMO, remove um obstáculo regulatório importante antes da entrada em vigor do marco global de emissões de gases de efeito estufa no transporte marítimo, prevista para dezembro de 2026.
- O avanço pode colocar o Brasil à frente dos Estados Unidos e de outros concorrentes na corrida para abastecer o transporte oceânico com biocombustíveis.
- O etanol de milho da safrinha já responde por quase um quarto da produção de etanol no país, e o milho da safrinha representa cerca de setenta a oitenta por cento da produção anual de milho.
- O Brasil trabalha para obter aprovação técnica da IMO também para o etanol de cana-de-açúcar e para biodiesel feito a partir de soja e sebo bovino, ampliando opções de combustível sustentável para uso naval.
O etanol de milho da safrinha produzido no Brasil avançou numa etapa regulatória da Organização Marítima Internacional (IMO), abrindo caminho para uso no transporte oceânico. A decisão foi tomada no comitê relevante da IMO, em Londres, e coloca o Brasil à frente de EUA e concorrentes em âmbito regulatório.
Segundo Flavio Mathuiy, capitão de mar e guerra que representa o Brasil no órgão, o etanol de milho da safrinha é o primeiro biocombustível compatível com o transporte marítimo a ter a pegada de carbono aprovada pela IMO. A agência não respondeu a pedidos de comentário durante feriado no Reino Unido.
A medida, ainda que auxiliar produtores e traders brasileiros, ocorre antes da entrada em vigor do marco global da IMO para emissões no setor. O marco foi aprovado em 2025 e a adoção formal está prevista para dezembro de 2026, após pressão dos EUA.
O objetivo é reduzir o uso de petróleo no transporte marítimo, com regras que devem incentivar combustíveis mais limpos. Em 2020, a IMO estimou que o setor responde por 2% a 3% das emissões globais de gases de efeito estufa.
O comitê de Proteção do Meio Marinho da IMO aprovou um valor padrão de 20,8 g CO₂ equivalente por megajoule para o etanol brasileiro de milho de segunda safra. O padrão serve para medir eficiência energética e reduções de emissões.
O etanol de milho da safrinha é o primeiro a receber essa classificação na IMO. Outros biocombustíveis deverão passar pela mesma avaliação para o marco global, que estabelecerá penalidades e incentivos.
O milho da safrinha representa quase 80% da produção total da commodity neste ano, e o etanol de milho tem menor intensidade de carbono que o produzido nos EUA, por uso de biomassa na produção e pela possibilidade de duas safras.
Desde 2017, empresas brasileiras já produzem etanol de milho. Embora a cana-de-açúcar ainda responda pela maior parte, o milho já representa cerca de um quarto da produção total.
Mathuiy também sinalizou a busca por aprovação técnica da IMO para o etanol de cana-de-açúcar e para biodiesel feito a partir de soja e sebo bovino para uso no transporte marítimo.
Entretanto, o setor se prepara para reduzir ainda mais a pegada de carbono em viagens oceânicas. A Vale, maior produtora de minério de ferro, pediu no mês passado dois navios da classe Guaibamax movidos a etanol.
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