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Fazenda paulista bloqueia R$176 milhões do Genial envolvendo Áster e Copape

Secretaria da Fazenda de São Paulo bloqueia R$ 176 milhões do Genial Investimentos, ligado a Áster e Copape, em ação cautelar por sonegação e dívida de ICMS

Prédio da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo
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  • A Fazenda do estado de São Paulo bloqueou R$ 176 milhões do Genial Investimentos em ação cautelar fiscal relacionada às empresas Áster e Copape, investigadas por sonegação e organização criminosa.
  • O bloqueio envolve uma operação de emissão de CDB vinculada a um empréstimo do grupo, com investimentos da usina Itajobi em CDBs do Genial via o fundo Radford e giro de crédito via CCB para Berna, que comprou quotas do fundo Los Angeles (renomeado Lucerna).
  • A Berna mantém cerca de vinte imóveis, avaliados em mais de R$ 200 milhões, usados como garantia do empréstimo e vinculados a alienação fiduciária dos ativos do fundo.
  • As investigações apontam possível uso de recursos do próprio Mohamed e Beto para adquirir imóveis, em uma estrutura para lavar e ocultar patrimônio, com ligação entre Reag, Banvox e outros fundos.
  • O Genial afirma não ser alvo de investigação, cooperar com as autoridades e atuar conforme normas; a operação Carbono Oculto também envolve fundos Viena e Bariloche, com menções a ligações com o Copape.

A Secretaria da Fazenda de São Paulo bloqueou 176 milhões de reais do grupo Genial Investimentos. A medida cautelar fiscal mira empresas do setor de combustível, Áster e Copape, ligadas aos empresários Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme, conhecidos como Primo e Beto Louco.

A ação envolve cobrança de ICMS estimada em 7,6 bilhões, incluindo juros e multa. O bloqueio ocorre em operação ligada a emissão de CDB amortizado por um empréstimo envolvendo o mesmo grupo. O objetivo é recuperar valores sonegados.

A Áster é distribuidora e a Copape atua como formuladora de combustível. Ambos são investigados na operação Carbono Oculto, que apura sonegação fiscal e organização criminosa.

Contexto da relação com o Genial

O Genial Investimentos iniciou negócios com Primo e Beto no segundo semestre de 2024, após desentendimentos com João Carlos Mansur, da Reag. A Reag era a principal gestora usada pelos donos da Copape e Áster para remuneração de investimentos.

A saída da Reag levou o grupo a compartilhar um FIDC de cerca de 500 milhões atrelado a uma carteira de consignados do Banco Master. O Master também foi apontado como intermediary na lavagem de dinheiro segundo investigações.

O bloqueio paulista diz respeito a uma operação de emissão de CDB associada a um empréstimo do grupo. A usina Itajobi, pertencente ao conjunto Copape-Áster, investiu 176 milhões em CDBs do Genial por meio do fundo Radford, bloqueado na ação.

Desdobramentos do movimento financeiro

O Genial then emprestou via CCB parte do valor para a Berna, que comprou quotas do fundo Los Angeles. O Los Angeles passou a chamar-se Lucerna, com gestão transferida da Reag para a Banvox.

A Berna detém imóveis avaliados em mais de 200 milhões de reais, incluindo terrenos em Tremembé e Vila Guilherme, além de postos de gasolina. Os imóveis constam como garantia fiduciária do empréstimo ao Genial.

As investigações sugerem uso de recursos do grupo para aquisição de imóveis, na tentativa de blindar patrimônio e viabilizar a compra de quotas do FII. A operação foi alvo de desfechos judiciais entre agosto de 2025 e janeiro de 2026.

Em cuidado judicial

Em agosto de 2025, a Genial tentou desfazer operações ligadas ao caso, alegando ordem diferente. A procuradoria entendeu a operação como fraude à ordem de execução, determinando bloqueio de recursos em outubro.

A empresa afirmou seguir normas do mercado financeiro, com governança e controles internos. A instituição disse colaborar com autoridades desde o conhecimento dos fatos.

O banco Genial alegou não ser alvo de investigação direta, mas confirmou cooperação com as autoridades. A Genial tem cerca de 2 milhões de clientes e mais de 280 bilhões de ativos sob custódia.

Envolvimento dos donos e o cenário

Os proprietários da Áster e Copape teriam sido apresentados ao Genial pelo diretor Humberto Tupinambá. Um irmão dele intermediou a venda da Copape a Mohamed e Beto em 2020, após a morte do pai.

Tupinambá passou a acompanhar as transferências de ativos tanto no escritório da Copape quanto na sede do Genial. A relação com o setor público e eventos envolvendo políticos também consta dos antecedentes.

A operação Carbono Oculto envolve ainda o fundo Viena, descrito como caixa-preta, com ligações a outros fundos e a participa­ções na Bariloche. Investigações apontam possível relação com a Bariloche Participações e com aeronaves da TAP.

Rueda, presidente do Republicanos, foi citado em depoimentos, mas a nota oficial negou vínculos diretos com Bariloche ou Viena.

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