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Governo lança Desenrola diante de dívida em alta e inadimplência no Brasil

Governo lança Novo Desenrola para renegociar dívidas de até R$ 8.105, com descontos de até 90% e juros de até 1,99% ao mês, mirando 73 milhões de inadimplentes

Com dívida em alta recorde, governo lança novo Desenrola — Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
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  • No fim de 2024, mais de 73 milhões de brasileiros estavam com o nome negativado; em março, esse total subiu para 82,8 milhões, segundo a Serasa, com dívidas em bancos e cartões respondendo por cerca de 27,4% do total.
  • O governo lançou o Novo Desenrola Brasil, pacote para renegociar dívidas de pessoas com renda de até R$ 8.105, destinado a famílias, Fundo de Financiamento Estudantil, empresas e agricultores rurais; vale para débitos até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos.
  • Descontos de 30% a 90% e juros limitados a 1,99% ao mês; até 20% do saldo do FGTS pode ser usado para abater a dívida, com transferência direta entre bancos; a Caixa deve repassar o FGTS ao banco correspondente para garantir uso nos débitos.
  • Região Norte lidera a inadimplência, com Amapá registrando 65,1% da população inadimplente; Santa Catarina tem o menor índice, 40,4%; jovens de 18 a 34 anos apresentam atraso grave mais alto (cerca de 19%).
  • Em média, as dívidas por pessoa somavam R$ 6.728,51 em março de 2026, com dívida total em torno de R$ 557 bilhões; cartão de crédito é o principal motor do superendividamento, devido a juros altos no rotativo.

O governo lançou o Novo Desenrola Brasil, um pacote para renegociar dívidas e aliviar o peso financeiro das famílias, em meio ao endividamento em alta. Em fevereiro, o peso da dívida atingiu 49,9% da renda, nível recorde da série do BC iniciada em 2005.

Segundo o BC, 73 milhões de brasileiros estavam com o nome no vermelho no fim de 2024, com 27,4% das dívidas em bancos e cartões. Em março, a Serasa indicou 82,8 milhões de inadimplentes, reforçando o cenário de preocupação com o crédito.

A parcela com atraso grave permanece elevada: 16% dos credores apresentavam inadimplência acima de 90 dias em dezembro. Entre 2020 e 2024, esse grupo cresceu 47%, mesmo com o aumento do acesso ao crédito.

O que muda com o Novo Desenrola Brasil

O programa, anunciado para ser implementado nesta segunda-feira, atende pessoas com renda de até R$ 8.105. Ele prevê renegociação de dívidas de cartão, cheque especial, crédito pessoal e Fies, com descontos de 30% a 90% e juros de até 1,99% ao mês.

Arenas atendidas incluem famílias, estudantes do Fies, empresas e agricultores rurais. Débitos em atraso de 90 dias a dois anos, com data-base até 31 de janeiro de 2026, entram no pacote. A adesão ocorre por canais oficiais das instituições.

Outra novidade é o uso do FGTS. Até 20% do saldo pode ser utilizado para reduzir a dívida, com transferência direta entre bancos e autorização do trabalhador. A Caixa gerencia a operação para direcionar os recursos aos credores.

Quem está mais vulnerável à inadimplência

Entre as regiões, a Região Norte lidera os índices de inadimplência, com Amapá no topo entre os estados. Distrito Federal, Amazonas e Mato Grosso do Sul aparecem logo atrás. Santa Catarina apresenta o menor índice.

Entre faixas de renda, o grupo com até 2 salários mínimos concentra a maior parcela de casos graves. Jovens de 18 a 34 anos também apresentam maior propensão a atrasos graves do que adultos e idosos.

Aprovação de crédito e perfil de inadimplentes

Apesar do aumento da oferta de crédito, jovens costumam atrasar mais do que outras faixas etárias, especialmente no rotativo do cartão. O valor médio de dívida por pessoa ficou em torno de R$ 6,7 mil, com dívida total estimada em R$ 557 bilhões.

No crédito, mulheres respondem por metade dos inadimplentes, mas há indicativos de maior pressão financeira entre elas: maior parcela da renda comprometida e juros mais altos em alguns produtos.

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