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Investigação aponta irregularidades além das questões fiscais

Juro real de 9,3% eleva o custo da dívida e indica falhas fiscais como parte do problema, não apenas o petróleo

Fernando Torres — Foto: Arte sobre foto de Ana Paiva /Valor
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  • O Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, mas sinalizou que não deve reduzir muito mais diante de incertezas com o Irã, petróleo e cadeia produtiva.
  • Mesmo com o recuo, o juro real projetado para os próximos 12 meses fica em torno de 9,3%, nível considerado insustentável por analistas.
  • A explicação majoritária é a política fiscal: déficit recorrente e alta dívida acima de médias de emergentes elevam o prêmio para financiar a dívida, mantendo juros altos de curto e longo prazo.
  • Dados históricos mostram que, mesmo com controle fiscal, o juro real pode permanecer elevado; a comparação entre países sugere que há outros fatores pesando no Brasil.
  • O texto aponta que não basta atuar apenas no fiscal: é preciso reduzir a inércia inflacionária e revisar contratos, além de enfrentar fatores como spreads bancários e isenções tributárias de aplicações financeiras.

O Banco Central reduziu a taxa Selic pela segunda vez consecutiva, em 0,25 ponto percentual, indo para 14,50% ao ano. O ajuste ocorreu na semana passada, em momento de incerteza externa por causa da guerra no Irã e do preço do petróleo, que afetam a inflação.

Analistas continuam preocupados com o ciclo de cortes. A perspectiva comum é de que a Selic encerre o ciclo próximo de 13% ao ano, não chegando aos 12% inicialmente propostos, diante do cenário externo volátil.

Além do recuo, o juro real projetado para os próximos 12 meses chegou a 9,3%, segundo levantamento da MoneYou, um patamar considerado insustentável para muitos. A leitura suscita questionamentos sobre os fatores que pesam sobre as taxas de juros.

Contexto fiscal e juros reais

Para a maior parte dos analistas, o déficit fiscal e o peso da dívida explicam parte do alto juro real, já que o governo financia-se com maior prêmio de risco. A relação dívida/PIB elevada costuma pressionar os juros de curto e longo prazos.

Mesmo com dívida menor que a de alguns emergentes, o Brasil fica atrás de pares com juros reais entre 0% e 1%, e o juro real brasileiro continua significativamente superior. Dados do FMI mostram esse contraste entre países importando preocupação fiscal.

Histórico recente também é citado. Entre 2003 e 2010, o Brasil teve superávit primário de 3,1% do PIB e queda na dívida, mas a taxa real média ficou em 9%, sinalizando que controle fiscal isolado pode não bastar para reduzir o juro real.

Especialistas apontam que, além de ajuste fiscal, fatores como inflação persistente acima da meta e reformas de eficiência na política monetária influenciam o custo da dívida, dificultando a queda do juro real.

Em resumo, a necessidade de revisar o desenho fiscal e enxugar a inércia inflacionária é destacada. Medidas como revisão de contratos, ajustes em temas de correção e spreads bancários aparecem entre as sugestões para reduzir o prêmio de risco.

Fonte: Valor Econômico, com observações de analistas sobre o cenário macroeconômico brasileiro.

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