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Uso do FGTS para limpar o nome tem riscos, dizem especialistas

Especialistas alertam que sacar FGTS para quitar dívidas pode aliviar agora, mas aumenta vulnerabilidade futura sem educação financeira e controle de gastos

— Foto: Getty Images
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  • Novo Desenrola pode liberar parte do FGTS, mas especialistas alertam para cautela para evitar novas dívidas.
  • Dados da Confederação Nacional do Comércio indicam endividamento de 80,2% das famílias em março de 2026, o maior da série; o cartão de crédito representa 63,5% da inadimplência.
  • O presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira, Reinaldo Domingos, diz que usar FGTS para quitar consumo é arriscado sem mudança de comportamento.
  • Antes de sacar, é essencial fazer diagnóstico financeiro, avaliar custo de oportunidade e manter educação financeira para não ficar vulnerável novamente.
  • Levantamento aponta que entre 25 mil e 44 mil famílias podem perder acesso a unidades habitacionais populares; ao longo de nove anos, mais de R$ 140 bilhões já foram retirados do FGTS para consumo.

Com a nova fase do programa Desenrola, milhões de brasileiros podem liberar parte do FGTS para quitar dívidas. A ideia é oferecer alívio imediato para sair do vermelho, mas especialistas alertam para riscos de longo prazo se não houver mudanças no comportamento financeiro.

Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam que o endividamento das famílias chegou a 80,2% em março de 2026, o maior índice da série histórica. O cartão de crédito continua sendo o principal vilão, respondendo por 63,5% da inadimplência.

O uso do FGTS para quitar consumo é visto como estratégia arriscada por especialistas. Reinaldo Domingos, presidente da ABEFIN, afirma que a dívida costuma ser consequência de organização financeira precária e que, sem mudanças, o problema pode retornar rapidamente.

O que avaliar antes de sacar o fundo

Diagnóstico financeiro: é essencial identificar renda e gastos, com plano para evitar novas dívidas caso o FGTS seja utilizado.

Custo de oportunidade: o FGTS funciona como proteção em demissão ou doença grave; gastar sem reorganizar o orçamento aumenta a vulnerabilidade futura.

A armadilha do alívio imediato: renegociação só funciona se acompanhada de educação financeira; caso contrário, o saldo do FGTS pode não trazer benefício duradouro.

Para quem decidir seguir com a renegociação, é recomendado priorizar dívidas com juros elevados e assegurar que as parcelas caibam no orçamento, sem recorrer a novos empréstimos.

Luiz França, presidente da ABRAINC, ressalta que muitos trocam a reserva de uma vida, destinada à casa própria, por um pagamento imediato de dívidas que tendem a reaparecer.

Levantamento da ABRAINC aponta que entre 25 mil e 44 mil famílias podem perder acesso a unidades habitacionais populares por desvio de finalidade do FGTS. Nos últimos nove anos, mais de R$ 140 bilhões foram retirados para consumo, o que fragiliza a segurança patrimonial em troca de alívio de curto prazo.

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