- Em São Paulo, a Gartner Data & Analytics destacou que oitenta por cento das empresas investem em IA, mas apenas vinte por cento já obtiveram retorno.
- A revista Piauí critica o domínio de conteúdo de baixa qualidade criado por IA nas redes sociais, como vídeos de frutas antropomorfizadas.
- The Economist aponta a primeira crise da IA, causada pela escassez de componentes nos data centers diante da demanda.
- Até o fim do ano, o preço de celulares e computadores deve subir, com estimativa de alta de até vinte por cento.
- O texto aponta que a infraestrutura cara é alimentada por modelos de negócios baseados em atenção, gerando ganho para plataformas de IA e redes sociais, e questiona responsabilidades e prioridades entre usos nobres e conteúdos fúteis.
Pouca gente sabe o que custa para que a inteligência artificial funcione. O consumo de recursos é alto, e o marketing de algumas empresas distorce a percepção de custo-benefício da IA. O resultado é um volume crescente de usos banais.
Segundo a Gartner, apesar de 80% das empresas investirem em IA, apenas 20% tiveram retorno mensurável até o momento. A observação foi feita por Sarah James, na abertura de uma conferência em São Paulo.
A revista Piauí criticou a ocupação das redes sociais por conteúdos de baixa qualidade gerados por IA, destacando vídeos com frutas antropomorfizadas. Empresas de tecnologia, dizem críticos, lucram com a demanda por engajamento.
A imprensa econômica aponta a primeira crise da IA: fabricantes não acompanham a demanda por data centers, com escassez de processadores, memória, transformadores e turbinas. O problema aparece como desequilíbrio entre oferta e necessidade.
Essa interdependência entre usos de alto valor e conteúdos descartáveis resulta de um modelo de negócios centrado na atenção. A produção de “AI slop” ganha escala com custos elevados para infraestrutura.
Panorama da infraestrutura e custos
Conteúdos absurdos de IA reforçam tráfego e receitas, mas elevam o consumo de energia, equipamentos e espaço físico. As plataformas de IA e as redes sociais se beneficiam mutuamente, ampliando lucros e valor de mercado.
A substituição gradual de interações humanas por algoritmos é observada com cautela. Algoritmos que promovem usos patológicos já são percebidos, mesmo quando sistemas sinalizam riscos.
Repercussões no consumidor e na indústria
Fabricantes de eletrônicos já destacam IA em celulares, PCs, videogames e eletrodomésticos. Um aumento de até 20% nos preços desses itens é previsto até o fim do ano, devido à demanda por componentes mais potentes.
Mesmo com o cenário de custos altos, a disponibilidade de IA facilita novos usos. Entretanto, a escalabilidade de conteúdos de baixa qualidade não pode ofuscar aplicações de educação, saúde e ciência.
Considerações sobre responsabilidade e caminho a seguir
A discussão não se resume à IA, mas aos modelos de negócios que a orientam. A focalização em atenção precisa ser acompanhada de responsabilidade sobre impactos sociais, éticos e econômicos.
As plataformas permanecem como espelhos do ecossistema: elas definem incentivos, moldam usos e capturam valor. O momento exige equilíbrio entre inovação e prioridades públicas.
Obs: continuidade e oportunidades
A crise de recursos pode estimular uma pausa para repensar prioridades de distribuição de poder de processamento. Conteúdos de entretenimento leve não devem inviabilizar investimentos produtivos em educação, saúde e ciência.
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