- O júri federal em Manhattan concluiu que a Live Nation e a Ticketmaster são responsáveis por monopólio do mercado de ingressos, monopólio de anfiteatros e venda casada ilegal dos serviços de promoção com venda de ingressos e locais.
- A decisão reconhece que a prática de controlar turnês para direcionar locais é o mecanismo central do dano, evidenciando como a Live Nation pode ditar onde os shows ocorram.
- O júri apontou que a Ticketmaster cobrou, em média, $ 1,72 a mais por ingresso ao longo de quatro anos, com impactos financeiros de bilhões de dólares e prejuízos a casas independentes, promotores, festivais e fãs.
- As reparações incluem medidas estruturais: (1) separação da Ticketmaster da Live Nation; (2) limitar a Live Nation a promover no máximo cinquenta por cento de cada turnê de um artista; (3) desmembrar os negócios de gerenciamento de artistas; (4) alienação de ativos com proibição explícita de relações comerciais entre as entidades separadas por pelo menos quinze anos.
- A Live Nation planeja recorrer da decisão, que pode alterar o setor de entretenimento ao exigir maior competição entre promotores independentes, casas e artistas.
O júri federal de Manhattan decidiu que a Live Nation e a Ticketmaster violaram leis antitruste ao monopolizar o mercado de ingressos, de anfiteatros e ao promover venda casada. A decisão ocorreu após seis semanas de julgamento e quatro dias de deliberação. A Live Nation planeja recorrer.
A conclusão do júri evidencia como funciona a suposta amarração entre gestão de turnês, locais e venda de ingressos. Testemunhos mostraram que quem controla as turnês pode ditar quais espaços recebem os shows. Um ex-CEO do Barclays Center relatou que a casa foi puxada de volta à Ticketmaster após alerta da Live Nation.
A decisão aponta que a Ticketmaster retira fatias de taxas por assento e lucra com revenda, enquanto a Live Nation molda roteiros artísticos e escolhe locais. O veredito considera essa arquitetura ilegal e abre espaço para reparações estruturais, não apenas multas.
Medidas estruturais propostas pelo veredito
1. Separação integral entre Ticketmaster e Live Nation, desfazendo a fusão de 2010 e impedindo que a empresa combine gestão de shows, locais e vendas de ingressos.
2. Limite de até 50% da turnê promovida pela Live Nation para qualquer artista, fortalecendo a presença de promotores independentes.
3. Desmonte do braço de gerenciamento de artistas ligado à Live Nation, buscando concorrência mais ampla na negociação de turnês.
4. Proibição explícita de que a Live Nation mantenha relações comerciais exclusivas com locais ou artistas após qualquer desinvestimento, com controle rígido por pelo menos 15 anos.
Essas medidas visam criar condições de competição entre promotores independentes, artistas e casas de shows. O objetivo é devolver aos artistas autonomia de roteamento, aos promotores condições de mercado justas e aos fãs uma compra de ingresso com custos competitivos.
Stephen Parker, diretor executivo da National Independent Venue Association (NIVA), afirma que o veredito abre caminho para reformas profundas no setor, ressaltando que o mercado funcional depende de separação de funções e de competição equilibrada entre agentes. A NIVA representa casas independentes, promotores e festivais.
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