- A ata do Copom divulgada hoje aponta que a velocidade, a magnitude e a duração do ciclo de cortes de juros foram reduzidas, mantendo juros mais elevados por mais tempo.
- Em termos de projeção, a Selic pode chegar a 10% ao ano em 2028, desde que o cenário ajude; para o fim deste ano, as expectativas ficaram mais próximas de 14% do que de 13%, estando hoje em 14,5%.
- Economistas destacam três motivos para a cautela: inflação ainda desancorada, cenário fiscal incerto e ambiente externo de juros altos e riscos geopolíticos.
- O governo avalia o Desenrola 2.0 para reduzir o endividamento das famílias, mas especialistas alertam que pode aliviar no curto prazo e elevar custos no médio prazo.
- Analistas sugerem que o crédito subsidiado diminui a eficácia da política monetária, mantendo a população enfrentando juros elevados por um bom tempo.
A ata do Copom, divulgada nesta manhã, indica que a velocidade, a magnitude e a duração do ciclo de corte de juros foram substancialmente reduzidas. No curto prazo, o mercado não enxerga a Selic abaixo dos dois dígitos.
Até 2028, a visão é de que a taxa chegue a 10% ao ano, se o cenário permitir. Ainda neste ano, o mercado projeta a Selic mais próxima de 14% do que de 13%, sendo que hoje está em 14,5%.
Para o economista Marcelo Bispo, do Onfield Investimentos, três fatores pesam contra cortes: inflação ainda desancorada, cenário fiscal incerto e ambiente externo com juros altos e riscos como conflitos internacionais. O BC atua com menor ímpeto de redução.
A economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa, aponta o conjunto inflação elevada e política fiscal como entrave. Ela afirma que a combinação de inflação atual acelerada, externo hostil e deterioração gradual do fiscal impede a Selic de retornar a patamares de dígito no curto e médio prazo.
Paralelo ao cenário monetário, as medidas do governo revelam uma contradição com o aperto monetário esperado. A inflação de alimentos e combustíveis é uma ameaça para a estratégia eleitoral de Lula, enquanto o Desenrola 2.0 surge como remédio paliativo para o endividamento das famílias.
Luis Ferreira, CIO do EFG Bank, vê o programa como faca de dois gumes. O crédito subsidiado reduz a eficácia da política monetária ao limitar o efeito de restrição na economia, elevando custos no futuro se for mantido.
Em síntese, o programa de renegociação de dívidas não resolve o problema de forma estrutural. O brasileiro deve conviver com juros elevados por um período prolongado, mesmo diante de medidas de apoio ao consumo.
Entre na conversa da comunidade