- O conjunto das seis maiores entidades espanholas teve lucro de 10.815 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, alta de 27% ante igual período de 2025.
- O Santander respondeu pela maior parte do ganho, com 5.455 milhões de euros (+60%), impulsionado pela venda da atividade na Polônia à Erste Bank por 7.000 milhões, gerando 1.900 milhões em plusvalia.
- Se excluir esse ganho extraordinário, o lucro do Santander seria de cerca de 3.560 milhões, 12% acima do apurado no ano anterior.
- O setor se beneficia da subida de juros e da expansão das carteiras de crédito, com margens de juros em alta e comissões somando 7.641 milhões (+7%), destaque para BBVA e Bankinter.
- O Sabadell registrou queda de 29% no lucro, para 347 milhões, por menor margem de juros e custos extraordinários de 55 milhões, que devem chegar a 90 milhões no ano; a venda da TSB ao Santander deve impactar os números nos próximos trimestres.
Bancos espanhóis superam 10 bilhões de euros no primeiro trimestre de 2026
O setor bancário espanhol superou os 10 bilhões de euros no primeiro trimestre de 2026. Seis grandes instituições registraram lucro conjunto de 10,815 bilhões de euros, alta de 27% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado consolidado mostra ganhos ainda em crescimento, apesar das tensões geopolíticas e das movimentações no setor de energia.
O valor representa a soma de todos os resultados, mas inclui um efeito atípico importante. O Santander liderou com 5,455 bilhões de euros, avanço de 60%. O banco vendeu seu negócio na Polônia ao Erste Bank por 7 bilhões de euros, operação que gerou ganho de capital de 1,9 bilhão de euros e inflou o lucro líquido. Sem esse fator, o lucro do banco seria de 3,56 bilhões de euros, ou seja, 12% acima do registrado um ano antes.
Santander e acordos que impactam as contas
Parte dos ganhos do Santander será usada para financiar a compra do TSB, pertencente ao Sabadell, por 3,3 bilhões de euros, acordo fechado recentemente. Também segue pendente a aquisição do Webster Bank, por mais de 10 bilhões de dólares, prevista para ocorrer antes do fim do ano. O efeito da operação na Polônia deve se diluir ao longo do tempo.
Mesmo sem considerar essas operações extraordinárias, o conjunto dos bancos mostra crescimento em relação ao primeiro trimestre de 2025. A mudança na política do Banco Central Europeu, que manteve as taxas de juros estáveis após um ciclo de cortes, ajuda a melhorar margens e resultados.
Receitas com comissões e margens
As receitas com comissões cresceram 7%, para 7,641 bilhões de euros. O BBVA liderou esse avanço, com alta de 9%, seguido pelo Bankinter, com 8%. As receitas com contas e serviços acompanham a recuperação das margens, que voltaram a subir após anos de queda.
A margem financeira total cresceu 7,2% em relação ao ano anterior e superou os 23 bilhões de euros. O Bankinter apresentou a maior alta na margem bruta, enquanto o Santander registrou melhora de 3,8% nesse indicador-chave.
Sabadell e mudanças estruturais
Com exceção do Sabadell, todas as instituições elevaram seus lucros em comparação com 2025. O Sabadell registrou queda de 29% no trimestre, para 347 milhões de euros, pressionado pela menor margem de juros e por custos extraordinários de 55 milhões de euros ligados a um plano de aposentadorias antecipadas. O banco passa por uma transição na diretoria.
Este trimestre marca o último em que o Sabadell incorpora a filial britânica TSB às suas contas, já que a unidade foi vendida ao Santander em 1º de maio. A expectativa é que a venda gere 300 milhões de euros em ganhos de capital para o grupo. Se esses ganhos forem excluídos, o lucro do Sabadell pode perder a posição mencionada entre os grandes bancos.
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