- A CBIC vê o Desenrola 2.0 com ressalvas, destacando que usar recursos do FGTS pode impactar o financiamento da construção e o programa Minha Casa, Minha Vida.
- A ideia de usar o FGTS para quitar dívidas permitiria até R$ 1.000 do fundo ou até 20% da dívida, o que for maior, o que preocupa pelo endividamento médio dos brasileiros, de cerca de R$ 6.300.
- A entidade argumenta que o FGTS é a principal fonte de financiamento de obras e de programas habitacionais, e prejudicá-lo pode reduzir o acesso à moradia para famílias de baixa renda.
- O vice-presidente da CBIC defende aumento do teto do Minha Casa Minha Vida e a utilização de recursos do pré-sal para ampliar a oferta de créditos imobiliários.
- Como solução estrutural, a CBIC sinaliza a redução da taxa de juros por meio da política de juros (Selic) e ressalta a necessidade de atacar as causas do endividamento, não apenas as dívidas em si.
O vice-presidente financeiro da CBIC, Eduardo Aroeira, afirmou nesta terça-feira 5/5, em entrevista ao programa CB.Poder, que observa com ressalvas o Desenrola 2.0. Ele questiona o uso de recursos do FGTS, principal fonte de financiamento da construção civil, no programa de regularização de dívidas.
Segundo Aroeira, o FGTS não deve ser utilizado para quitar dívidas se isso comprometer o papel de financiamento habitacional. Ele destacou que o FGTS é a base de fontes para importantes obras, como o Minha Casa, Minha Vida, cuja linha de crédito tem teto ampliado.
O dirigente citou números: o anúncio prevê uso de até R$ 1.000 do FGTS para pagamentos ou até 20% do valor da dívida, o que for maior. Com endividamento médio dos brasileiros estimado em cerca de R$ 6.300, a CBIC teme prejudicar a ferramenta de atendimento à habitação para as camadas mais carentes.
Impactos no financiamento habitacional
A CBIC sustenta que a estratégia pode reduzir a disponibilidade de recursos para habitação popular. A entidade ressalta que a ferramenta de crédito associada ao FGTS já foi fortalecida com o aumento do teto do Minha Casa e com a criação de linhas financiadas pelo fundo do pré-sal.
A partir das mudanças, o setor entende que é preciso atacar as causas do endividamento, não apenas os débitos. A construção destaca que o problema é estrutural e não se resolve apenas com medidas pontuais.
Para além da discussão sobre o Desenrola, Aroeira afirma que a solução estrutural passa pela redução da taxa de juros via Selic. O otimismo no setor está ligado à menor custo financeiro, benefícios para famílias de classe média e maior viabilidade de financiamentos de moradia.
Perspectivas e medidas
O vice-presidente destaca a ampliação do teto de crédito e o aumento de recursos disponíveis como caminhos positivos, desde que não comprometam o financiamento de habitação popular. A CBIC defende que políticas públicas devem conciliar acesso à casa própria com a saúde financeira das famílias.
A entrevista foi concedida ao Correio e à TV Brasília no âmbito do CB.Poder. O conteúdo discutido envolve impactos diretos no financiamento de imóveis, na construção civil e na ampliação de programas habitacionais.
Entre na conversa da comunidade