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Copom cita indisciplina fiscal do governo ao definir a Selic

Copom cita indisciplina fiscal e elevação da dívida como entrave a mais cortes na Selic, mantendo 14,50% ao ano e destacando incertezas globais para a inflação

Colegiado levou em conta tensão no oriente médio para manter corte lento, mas citou situação da dívida pública. (Foto: Beto Nociti/BCB)
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  • O Copom cita indisciplina fiscal e aumento da dívida como fator de preocupação que pode impedir cortes maiores na Selic.
  • A ata aponta que o fraco avanço de reformas estruturais e o aumento de crédito direcionado elevam a taxa de juros neutra e prejudicam a política monetária.
  • Na última reunião, houve corte gradual de 0,25 ponto percentual na Selic, que ficou em 14,50% ao ano, com a justificativa de serenidade e cautela diante de conflitos no Oriente Médio.
  • O histórico de trajetória da Selic mostra: janeiro de 2025, 13,25%; março de 2025, 14,25%; maio de 2025, 14,75%; junho de 2025, 15,00%; março de 2026, 14,75%; abril de 2026, 14,50%.
  • O PIB mostra queda de ritmo: 3,4% em 2024, 2,3% em 2025; 2026 deve fechar perto de 1,85%, segundo analistas do Focus, com maior incerteza devido aos conflitos internacionais.

O Copom divulgou a ata da última reunião e manteve o tom cauteloso sobre a política monetária. O comitê cita a indisciplina fiscal e o aumento da dívida pública como fatores que podem impedir cortes maiores na taxa Selic. O instrumento continua sendo utilizado com prudência para evitar pressões inflacionárias.

A decisão ocorreu na reunião realizada na quarta-feira (29). A Selic ficou em 14,50% ao ano, após um ajuste de 0,25 ponto percentual. A justificativa é a necessidade de serenidade na condução da política monetária diante de incertezas externas, especialmente conflitos no Oriente Médio, que afetam preços de ativos e commodities.

Contexto da política monetária

A ata deixa claro que o esmorecimento de reformas e disciplina fiscal elevada a incertezas sobre a trajetória da dívida podem elevar a taxa de juros neutra. Tal cenário compromete a eficiência da política monetária e o ritmo de desinflação.

A trajetória da Selic tem sido de redução gradual após oito meses em patamar elevado. Em janeiro de 2025, a taxa estava em 13,25%; em março, 14,25%; em maio, 14,75%; e em junho de 2025 chegou a 15%.

Perspectivas econômicas nacionais

No plano doméstico, o Copom aponta desaceleração do PIB. O crescimento de 2024 ficou em 3,4%, caindo para 2,3% no fim de 2025. Analistas consultados para o boletim Focus projetam 1,85% de expansão para 2026.

A ata também enfatiza que, diante de maior incerteza global, o comitê mantém serenidade e cautela. Os próximos movimentos na calibração da taxa dependerão de novas informações sobre a profundidade e extensão dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre a inflação.

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