- Os custos de empréstimo de longo prazo do Reino Unido atingiram o maior nível desde 1998, com rendimento de 30 anos em cerca de 5,78% e de 10 anos em aproximadamente 5,1%, diante da guerra no Irã e de incertezas políticas antes das eleições locais e nacionais.
- Os mercados de dívida de governos de grandes economias recuaram desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irã, elevando o custo efetivo de tomar dinheiro emprestado pelo governo.
- O mercado britânico ficou mais turbulento com as eleições marcadas para quinta-feira, aumentando a aversão a risco e a pressão sobre rendimentos.
- A crise no Estreito de Hormuz elevou preços de energia e alimentou expectativas de inflação mais alta, impactando rendimentos de títulos ao redor do mundo.
- O governo diz ter observado melhora em crescimento, inflação e endividamento no início do ano, antes da guerra; a oposição trabalhista prevê perdas de centenas de cadeiras em conselhos e enfrenta eleições nacionais na Escócia e no País de Gales, além de especulações sobre liderança.
O custo da dívida pública britânica atingiu o maior nível desde 1998, conforme as tensões no Oriente Médio aumentam e a incerteza política se eleva antes das eleições locais e nacionais. Os mercados de títulos do governo europeu reagem ao início do conflito entre EUA, Israel e Irã, elevando a percepção de inflação e juros para o setor público.
Na prática, o rendimento das gilts de 30 anos atingiu o maior patamar em 28 anos na tarde de terça-feira, enquanto o rendimento de 10 anos atingiu o maior nível em 18 anos. Esses movimentos refletem a percepção de maior risco e custo de financiamento.
O estreitamento do Estreito de Hormuz, com impactos potenciais no fornecimento de petróleo e gás, contribuiu para a alta de preços de energia e para a volatilidade global dos mercados de dívida. O mercado britânico, porém, mostrou retração mais acentuada do que outras grandes economias, segundo operadores, pela inflação mais elevada e pela instabilidade política.
Contexto político e econômico
O governo sustenta que houve melhora de crescimento, inflação e dívida no início do ano, antes do agravamento da crise no Irã. O rendimento dos títulos de 30 anos chegou a cerca de 5,78%, já o de 10 anos ficou em torno de 5,1%. A elevação dos rendimentos aumenta os custos de juros da dívida, limitando o espaço fiscal.
A dívida líquida para o ano até março caiu para £132 bilhões, um mínimo de três anos, segundo análises. Analistas avaliam que esse nível pode piorar ao longo do ano caso a inflação se mantenha elevada. O Departamento de Gestão da Dívida (DMO) reduziu a dependência de títulos de longo prazo em operações de venda.
O governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, minimizou preocupações com o mercado de gilts, destacando a força do câmbio da libra. Mesmo com volatilidade externa, o câmbio mantém-se próximo da faixa observada desde o Brexit, segundo ele.
O momento é marcado pela proximidade de eleições locais e nacionais, com foco especial em perdas para o Partido Trabalhista e especulações sobre possíveis challengers dentro do espectro político. O ambiente externo, com risco de novas etapas de conflito, soma-se à incerteza doméstica.
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