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Disputa entre empresas de delivery se intensifica e se torna mais agressiva

Conflito entre iFood, 99Food e Keeta se agrava com espionagem, acusações de práticas predatórias e atuação do Cade, em um mercado de R$ 79 bilhões.

A guerra das empresas de delivery escala e fica ainda mais agressiva
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  • iFood acusa consultorias asiáticas de espionagem, com pagamentos por dados internos; desde o ano passado já teriam ocorrido mais de cento e setenta abordagens a funcionários, inclusive de outras empresas do grupo Prosus.
  • O CEO do iFood diz que há ação coordenada para roubar informações e que já houve demissões; Keeta nega envolvimento e afirma seguir padrões éticos; há investigação da Polícia Civil sobre ataques a restaurantes na Baixada Santista.
  • 99Food e Keeta entraram no Brasil; Cade abriu inquérito para investigar práticas anticompetitivas, com mudança de operabilidade e barreira de exclusividade entre plataformas.
  • Acusações de preços predatórios aparecem na disputa, com descontos acima de margens do setor; Keeta diz que cupons visam experimentação e que não pratica anticoncorrência.
  • Mercado de delivery é bilionário: faturamento de R$ 79 bilhões em 2025, volume de pedidos de cerca de 150 milhões por mês, e iFood domina com fatia de mercado em torno de oitenta e dois por cento; outros players também atuam, ampliando a competição.

O confronto no setor de delivery de refeições no Brasil ganhou contornos de tensão alta. iFood, 99Food e Keeta estão no centro de acusações de espionagem corporativa, uso de dados sigilosos e disputas regulatórias no Cade e na Justiça. As ações apontam para uma disputa estimada em um mercado de quase 79 bilhões de reais.

O iFood sustenta que desde abril do ano passado empresas consultoras asiáticas, principalmente da China, têm abordado funcionários da companhia via LinkedIn para obter dados internos em troca de pagamentos. O CEO Diego Barreto afirma que o método envolve perguntas sobre GMV regional, pedidos diários e valor médio por pedido.

Segundo Barreto, surgiram contatos envolvendo colaboradores de outras empresas do grupo Prosus, proprietária do iFood. O executivo afirma tratar-se de uma ação coordenada para extrair informações do iFood, com pagamentos que variam entre 3 e 4 mil reais e valores maiores por informações sobre a empresa.

A Keeta nega envolvimento em espionagem e afirma respeitar padrões éticos e legais. A empresa diz não contratar terceiros para coletar dados em seu nome e que não recebeu notificações de envolvimento no caso. Relatos de ataques a estabelecimentosTambién surgem em investigação policial na Baixada Santista.

Além dos episódios de espionagem, paira a suspeita de práticas predatórias e barreira de exclusividade. Em 2025, a Keeta acionou o Cade para apurar supostas irregularidades, enquanto a 99Food também foi alvo de contestações próximas. O Cade iniciou inquérito administrativo no fim de março, sem decisões até o momento.

A Keeta alega dificuldades para romper a exclusividade do iFood com restaurantes, o que atrasou sua entrada no Rio de Janeiro em fevereiro. Também há acusações de uso de descontos agressivos, com o iFood defendendo que o volume de descontos tem sido utilizado para competição de mercado, não para prática anticoncorrencial.

No contexto do mercado, estudo da GetNet aponta receita de 79 bilhões de reais em 2025, com crescimento de 12,7% e alta de 24% no volume de entregas, para cerca de 150 milhões de pedidos mensais. O iFood ainda domina, com participação estimada em 82% em estudo anterior, porém novas avaliações devem informar a atual temperatura competitiva.

O setor envolve cerca de 1,6 milhão de estabelecimentos de alimentação no Brasil, com 68% operando delivery. O volume de entregas representa 20% a 30% da receita de restaurantes, que dependem de contratos de exclusividade com plataformas. O Cade já teve acordo anterior com o iFood para reduzir exclusividade, com auditorias em curso.

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