- Em 2024 o comércio global atingiu US$ 33 trilhões, com leitura de +3,7% frente a 2023 e maior volatilidade e pressão por diversificação de fornecedores.
- Minerais críticos ganharam peso: demanda por terras raras deve crescer mais de 30% até 2030, com centralidade para tecnologias de energia, eletrônicos e defesa; a China domina produção e refino.
- No Brasil, há pressão sobre custos, logística e competitividade devido à dependência de insumos importados e à necessidade de beneficiamento e escala industrial.
- A logística ficou mais fragmentada, elevando custos de coordenação, prazos e risco, transformando-se em variável estratégica de competitividade.
- Empresas brasileiras precisam entender a posição na cadeia, reduzir dependência externa e integrar estratégias comercial, financeira, logística e jurídica para enfrentar o cenário geopolítico.
A geopolítica global acirrou a reorganização de cadeias de suprimento e ampliou a pressão sobre custos, logística e competitividade das empresas brasileiras. O tema vai além de operações; envolve controle de insumos estratégicos e processamento. Hoje, a discussão se tornou central para decisões de governos e negócios.
A UNCTAD aponta crescimento de 3,7% no comércio em 2024, chegando a US$ 33 trilhões, porém com maior volatilidade e risco de dependência externa. A demanda por minerais críticos deve subir, especialmente terras raras, usadas em tecnologia, energia e defesa.
Para o Brasil, o tema é estratégico: terras raras e outros minerais não se resumem a mineração, mas a controle de etapas de valor. A China continua líder na produção e processamento, elevando o peso estratégico de insumos para indústria brasileira.
Do ponto de vista de quem opera no setor, o efeito chega ao custo, prazo e câmbio. A dependência de insumos importados aumenta a vulnerabilidade e reduz previsibilidade para negociações e investimentos. O desafio é ampliar beneficiamento e escala industrial nacional.
A visão de mercado reforça que a cadeia de suprimento ficou mais fragmentada. Cortes, atrasos logísticos e variação cambial elevam o custo de coordenação e o risco de ruptura, impactando a competitividade de empresas brasileiras.
No âmbito privado, setores que parecem distantes, como construção e manufatura, já sentem o impacto. Empresas precisam revisar fontes de insumos, prazos e tecnologias, incorporando incerteza internacional ao planejamento.
Para especialistas, a mudança não é apenas operacional. A lógica de investimento, de sourcing e de atração de capital mudou, exigindo maior internalização de valor agregado e menor dependência externa. A estratégia passa a estar vinculada à posição na cadeia.
A visão jurídica também aponta mudança relevante. A depender da política global, o Brasil precisa reduzir dependência, encurtar cadeias e proteger setores sensíveis, sem abrir mão de competitividade.
A logística aparece como eixo central. Cadeias mais complexas elevam a necessidade de previsibilidade, o que impacta custos, prazos e confiabilidade do fluxo de mercadorias entre indústria, comércio e transportadoras.
Internamente, empresas brasileiras já observam alterações no planejamento de projetos. A escolha de materiais, fornecedores e soluções passa por uma avaliação externa mais ampla, com maior grau de incerteza diante de cenários globais.
O consultor contábil ressalta que não basta custos e fretes: a volatilidade muda a margem e pode restringir investimentos. A percepção de importação como tema exclusivamente comercial tende a mudar para uma dimensão estratégica.
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