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GPA reestrutura R$ 4,6 bi em dívidas, CEO diz que é dia importante

Renegociação reduz endividamento de R$ 4,6 bilhões para R$ 2,1 bilhões, alonga prazo e reduz custo, fortalecendo caixa e operações do GPA

Varejo supermercadista Há quatro meses no cargo, Alexandre Santoro, CEO do GPA, conduziu a renegociação e reestruturou R$ 4,6 bilhões em dívidas.
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  • O GPA renegocrou dívidas financeiras não operacionais de R$ 4,6 bilhões, encerrando o processo de recuperação extrajudicial iniciado em março.
  • R$ 1,5 bilhão passa a ser debênture corrigida a CDI+2,5%, com dois anos de carência e vencimento em 2031.
  • R$ 1,1 bilhão é convertido em ações em quatro janelas de 25%, entre início de 2027 e 2031, ao preço médio de 90 dias anteriores a cada conversão.
  • R$ 2 bilhões recebe deságio de 70% e vira debênture de R$ 600 milhões com pagamento integral no vencimento em 2036. O total de dívida passa a ficar em cerca de R$ 2,1 bilhões, com redução de 54%, prazo médio acima de seis anos e custo CDI+0,5.
  • O fluxo de caixa melhora significativamente: vencimentos previstos de R$ 5,2 bilhões nos próximos três anos caem para cerca de R$ 800 milhões; operação permanece estável, sem fechamento de lojas, e a homologação judicial ainda depende de decisão.

O GPA (Grupo Pão de Açúcar) concluiu nesta terça-feira a renegociação de dívidas financeiras não operacionais que motivaram o pedido de recuperação extrajudicial protocolado em março. O passivo, inicialmente em R$ 4,5 bilhões, atingiu R$ 4,6 bilhões com a inclusão de um swap durante o processo, segundo o CFO Pedro Albuquerque.

O acordo foi aprovado por 57% dos credores, acima do quórum mínimo de 50% mais um. Assinam o acordo Rabobank, Itaú, BTG, HSBC e Itaú Asset, com o Rabobank descrito como o maior credor individual. O CEO Alexandre Santoro afirmou que se trata de “um dia importante na história” da empresa.

Nova estrutura de dívida

Dos R$ 4,6 bilhões, R$ 1,5 bilhão passam a debênture corrigida a CDI+2,5%, com dois anos de carência e vencimento em 2031. Outros R$ 1,1 bilhão viram ações (*equity*) em quatro janelas de 25% entre 2027 e 2031, ao preço médio de tela dos 90 dias anteriores a cada conversão. Restam R$ 2,0 bilhões com deságio de 70%, transformados em debênture de R$ 600 milhões, pago integralmente em 2036.

Ao todo, o saldo de dívida cai para cerca de R$ 2,1 bilhões, uma redução de aproximadamente 54%. O prazo médio sobe de 2,1 para mais de seis anos, e o custo financeiro recua de CDI+1,8% para CDI+0,5%. O efeito no fluxo de caixa é expressivo: os vencimentos estimados em R$ 5,2 bilhões nos próximos três anos caem para cerca de R$ 800 milhões.

O plano aguarda homologação judicial, com prazo de 30 dias para a fase de contagem de adesões. Todos os credores poderão migrar para a debênture pecuniária ou para a convertível desde que aportem recurso novo.

Operação e cenário futuro

Santoro destacou que a recuperação extrajudicial não afeta o dia a dia da operação. Fornecedores, clientes e funcionários mantêm funcionamento normal, com lojas abertas e estoque abastecido. O CEO também registrou o apoio dos fornecedores como chave para atravessar o processo sem rupturas.

O GPA mantém 728 lojas e não prevê abertura de novos pontos. O capex foi revisado para baixo e não há projeção de EBITDA ou de retomada do lucro líquido divulgadas. A diretoria planeja atualizar o mercado conforme resultados trimestrais sejam fechados.

O conselho, que reúne a família Coelho Diniz, o Casino e o investidor Silvio Tini, aprovou o plano por unanimidade. A assessoria financeira fica a cargo da Alvarez & Marsal, e a área jurídica, do escritório Munhoz Advogados.

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