- HSBC provisionou US$ 400 milhões (cerca de R$ 1,98 bilhão) por suposta fraude em crédito privado no Reino Unido, impactando os resultados do primeiro trimestre.
- A instituição divulgou poucos detalhes e não revelou o nome da empresa envolvida; afirmou tratar-se de uma despesa idiossincrática relacionada a securitização e fraude.
- A diretora financeira, Pam Kaur, disse que houve concessão de empréstimo a uma empresa de private equity ligada a ativos de crédito privado securitizados, e que a due diligence não apontou preocupações similares de fraude.
- A banca sinalizou que pretende endurecer procedimentos para evitar repetição do problema e que não identifica riscos comparáveis na carteira.
- O caso pode guardar relação com o colapso da MFS, conforme o Financial Times, com o HSBC exposto por meio de empréstimos a Atlas SP; autoridades britânicas investigam o escândalo.
O HSBC informou uma provisão de US$ 400 milhões (cerca de R$ 1,98 bilhão) relacionada a uma suposta fraude em mercados privados no Reino Unido, afetando seus resultados do trimestre. O banco não detalhou a empresa envolvida, apenas apontou uma exposição secundária de securitização ligada a uma fraude com um patrocinador financeiro no Reino Unido.
Na teleconferência com analistas, a diretora financeira Pam Kaur explicou que o HSBC havia concedido empréstimos a uma empresa de private equity, que por sua vez tinha exposição a ativos de crédito privado securitizados. A instituição classificou a despesa como idiossincrática e afirmou não ter identificado outras fraudes com impactos semelhantes.
Kaur destacou que a due diligence feita por firmas de private equity foi considerada adequada, e que o HSBC planeja endurecer procedimentos para evitar recorrência do problema. O banco não confirmou a identidade das partes envolvidas.
Relação com o colapso de MFS e impactos setoriais
Segundo o Financial Times, o caso pode ter relação com o colapso da Mortgage Financial Solutions, com exposição do HSBC via Atlas SP, unidade de empréstimos lastreados em ativos da Apollo. O HSBC não confirmou os nomes ao jornal.
O episódio surge após o Barclays divulgar prejuízo de £ 228 milhões em decorrência da falência da MFS em fevereiro. Autoridades britânicas passaram a investigar o escândalo, que retoma preocupações sobre a qualidade de crédito no setor.
No âmbito regulatório e de negócios, o mercado de crédito privado ganhou ritmo nos últimos anos, mas abundam episódios de falências e fraudes. Investidores e reguladores acompanham de perto as ligações entre fundos de crédito privado e a atividade bancária tradicional.
Resultados e movimentos estratégicos do HSBC
No primeiro trimestre, o HSBC teve lucro líquido quase estável, com maior despesas de crédito compensando vigor em Hong Kong, Reino Unido e gestão de fortunas. O banco registrou perdas de crédito esperadas e impairment de US$ 1,3 bilhão no período.
O HSBC, com sede em Londres, depende intensamente de receitas na Ásia e mantém operações relevantes no Oriente Médio. Na semana passada, encerrou a venda de seu negócio de varejo na Indonésia ao Oversea-Chinese Banking Corp., de Cingapura.
O grupo informou que continua revisando estratégias de varejo na Austrália e no Egito, além do negócio de seguro de vida em Cingapura. As readequações visam reduzir riscos e aprimorar a governança em áreas com maior exposição administrativa.
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