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Justiça homologa recuperação judicial de R$ 2 bilhões da Coteminas

Justiça homologou recuperação judicial do Grupo Coteminas, com passivo estimado de R$ 2 bilhões; prazo de dez dias para honorários, sob risco de falência

Josué Gomes, presidente do Grupo Coteminas; Justiça deu prazo de 10 dias para o pagamento de honorários em atraso, sob risco de falência
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  • Justiça de Minas homologou, em 5 de maio de 2026, o plano de recuperação judicial do Grupo Coteminas, dono das marcas Artex, MMartan, Santista e Casa Moysés, com passivo estimado em R$ 2 bilhões.
  • O processo envolve nove empresas do grupo e ficou decidido após aprovação do plano na quarta assembleia de credores em dezembro de 2025.
  • O tribunal considerou regular o tratamento de débitos tributários: 96,41% do passivo tributário foi equacionado por meio de transações e parcelamentos com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
  • O grupo pode hipotecar um imóvel em Montes Claros, MG, avaliado em R$ 22,6 milhões, para viabilizar a transição tributária; débitos com a Paraíba ficaram sem exigência de quitação imediata devido a legislação estadual.
  • A decisão aponta atraso de R$ 490,7 mil nos honorários da Administração Judicial entre agosto de 2025 e abril de 2026, com prazo de 10 dias para quitação sob risco de conversão da recuperação em falência; os maiores credores incluem Safra, ABC, BB, Cemig e Louis Dreyfus Company.

A Justiça de Minas Gerais homologou nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, o plano de recuperação judicial do Grupo Coteminas. A têxtil, dona das marcas Artex, MMartan, Santista e Casa Moysés, acumula um passivo de cerca de R$ 2 bilhões. O processo envolve 9 empresas do grupo, incluindo as unidades têxtil, imobiliária e uma fazenda.

O plano, aprovado na quarta assembleia de credores em dezembro de 2025, aguardava a validação judicial. A decisão foi proferida pelo juiz Murilo Silvio de Abreu, que considerou o equilíbrio entre recuperação da empresa e pagamento aos credores. A Coteminas é controlada por Josué Gomes da Silva, filho do falecido José Alencar.

Dívidas e regularidade fiscal

A principal condicionante para a homologação era a regularidade fiscal. A Justiça entendeu que 96,41% do passivo tributário, cerca de R$ 848,9 milhões, já está sendo regularizado por meio de parcelamentos com a PGFN. A exigência de quitação imediata integral foi flexibilizada para preservar a recuperação.

Para débitos com a Paraíba, de aproximadamente R$ 33,5 milhões, não houve exigência de regularização imediata por falta de legislação estadual específica, conforme jurisprudência do STJ. Em Minas Gerais, foi autorizada a hipótese de hipoteca de um imóvel da Coteminas em Montes Claros, avaliado em R$ 22,6 milhões, como garantia para a transição tributária.

Credores e riscos ao grupo

Entre os maiores credores aparecem Banco Safra, Banco ABC, Banco do Brasil, Cemig e Louis Dreyfus Company. A defesa da Coteminas atribui a crise a dificuldades de liquidez provocadas pela pandemia de covid-19 e pela alta do dólar, que afetaram operações alavancadas do grupo.

Apesar da homologação, há questões imediatas de caixa. O juiz registrou atraso de R$ 490,7 mil no pagamento de honorários da Administração Judicial entre agosto de 2025 e abril de 2026, fixando prazo de 10 dias para quitação, sob pena de conversão da recuperação em falência.

Contexto e liderança

Fundada em 1967 por José Alencar, a Coteminas é hoje controlada por seu filho, Josué Gomes da Silva. Gomes, ex-presidente da Fiesp e figura próxima ao ex-presidente Lula, recentemente filiado ao PSB. Seu nome tem sido citado como possível candidato ao governo de Minas, dada a conjuntura política local.

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