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Luiza Trajano afirma: acredito no Brasil, mesmo com juros altos

Trajano aponta juros de quinze por cento e burocracia como entraves ao crédito para micro, pequenas e médias empresas, mesmo com avanços

Luiza Helena Trajano, da Magazine Luiza: “Hoje enfrentamos no Brasil juros de 15% e a burocracia ainda muito grande” (Leandro Fonseca /Exame)
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  • Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza, afirma que acredita no Brasil, apesar de juros elevados e burocracia.
  • A entrevista destaca a evolução do Magalu, que hoje funciona como ecossistema de varejo tradicional, marketplace e serviços digitais, com marcas como Netshoes, Estante Virtual e Época Cosméticos.
  • Em 2025, a empresa teve receita líquida de R$ 38,7 bilhões, EBITDA ajustado de R$ 3,06 bilhões e lucro líquido ajustado de R$ 158,9 milhões, com custos financeiros pressionados pela taxa SELIC a 15%.
  • Trajano ressalta avanços para pequenos e médios negócios e cita iniciativas como o Grupo Mulheres do Brasil, além de comunidades de empreendedorismo feminino e o calendário de eventos voltados a mulheres no mercado.
  • Em ano de eleição, ela defende planejamento estratégico de longo prazo e menos polarização, destacando a necessidade de metas nacionais em educação, sustentabilidade e negócios para os próximos 10 a 12 anos.

Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza, participou do podcast De Frente com CEO, da EXAME. Em tom objetivo, ela fala sobre a trajetória da empresa, os desafios de empreender no Brasil e as perspectivas para o varejo.

Ela ressalta que confia no potencial do Brasil, mesmo com a cobrança de juros elevados e processos burocráticos. A executiva destaca avanços para pequenos e médios negócios, como o Simples Nacional, embora tema pela disponibilidade de crédito.

A Magazine Luiza hoje funciona como um ecossistema que une varejo tradicional, tecnologia, marketplace e serviços digitais. Trajano enfatiza a ambição de estar onde o consumidor estiver, integrando lojas físicas, online e aquisições como Netshoes e Época Cosméticos.

Juros altos e o desafio de empreender no Brasil

Ela comenta que a taxa Selic em 15% aumenta o custo financeiro para empresas, dificultando operações. Apesar disso, aponta progressos recentes que facilitaram a entrada de pequenos negócios ao crédito, à capacitação e à formalização de operações.

Trajano destaca que os números do Magazine Luiza no último ano mostram crescimento de receita, impulsionado pelas lojas físicas. O desempenho foi pressionado pelo aumento de despesas financeiras com juros elevados, ainda assim a geração de caixa permanece robusta.

Resultados sob pressão: o impacto da Selic no Magalu

Os resultados de 2025 apontam receita líquida de cerca de 38,7 bilhões de reais, alta modesta frente ao ano anterior. O EBITDA ajustado ficou em 3,06 bilhões de reais, com lucratividade reduzida. A elevação de custos financeiros continua a moldar o quadro.

A empresa indica foco em rentabilidade e eficiência, enquanto investe em tecnologia e inteligência artificial para sustentar o crescimento. O objetivo é manter um modelo híbrido, com integração entre lojas físicas e plataformas digitais.

Empreendedorismo como causa, e não apenas negócio

Trajano vincula o sucesso empresarial a transformação social. Ela cita ações do Grupo Mulheres do Brasil, fundado em 2013, que reúne milhares de pessoas para causas sociais. A executiva afirma que a sociedade civil pode promover mudanças relevantes quando organizada.

Ela também vê no marketplace uma ferramenta de inclusão produtiva para micro e pequenas empresas. Recentemente, foram criadas comunidades de empreendedorismo feminino e um Summit de profissões voltado a mulheres, com previsão para agosto em São Paulo.

A expectativa para um Brasil em ano de eleição

Sobre o cenário político, Trajano evita previsões específicas, mas defende maior clareza de rumo e menos polarização. Ela afirma a necessidade de um planejamento estratégico de longo prazo para educação, sustentabilidade e negócios.

A executiva aponta a importância de estratégias nacionais que ultrapassem ciclos eleitorais, enfatizando compromisso com causas estruturais. Em seu diagnóstico, o país tem perfil de adaptabilidade semelhante a uma startup, o que pode favorecer a recuperação e o crescimento.

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