- Documentos internos do Banco Master indicam que Daniel Vorcaro e familiares realizaram operação financeira às vésperas da liquidação para cobrir rombo de R$ 776,9 milhões, repassando recursos a uma rede de firmas e fundos ligados à família.
- A suspeita é de que esses recursos foram usados para fins pessoais, incluindo a compra de bens de luxo, como uma mansão na Flórida avaliada em US$ 35 milhões.
- Em 2022, o fundo City repassou R$ 419,9 milhões às empresas da família, com expectativa de recebimento de R$ 798 milhões, mas os recebíveis teriam baixo lastro, levando a perdas registradas pela CVM.
- Em 3 de julho de 2025, o City vendeu o conjunto de recebíveis da família Vorcaro para a Navarra S.A. por R$ 776,9 milhões; a Navarra seria, na prática, beneficiária final do Vorcaro por meio dos fundos Lunar e Astralo 95.
- A liquidante do Banco Master pediu o protesto de bens da família para evitar esvaziamento de patrimônio e preservar possíveis ressarcimentos, enquanto investigações apontam desvios para financiar luxo e outros ativos, sob pressão de apurações da PF e do BC.
O Banco Master vivia momentos de crise quando documentos internos indicaram que Daniel Vorcaro e familiares teriam usado uma operação financeira para cobrir um rombo de 776,9 milhões de reais. A apuração envolve a transferência de recursos para uma rede de firmas e fundos ligados à família, já na fase de liquidação da instituição.
As suspeitas apontam para a utilização de recursos do Master para uso pessoal, incluindo a compra de uma mansão na Flórida e um jato. A investigação acompanha o caminho do dinheiro iniciado em 2022, com objetivo de dificultar o rastreamento do patrimônio da família.
Vorcaro, pai do fundador do banco, e Natália Vorcaro, irmã dele, já tiveram bens protestados em ação movida pela liquidante do Master. As autoridades veem indícios de desvio que teriam como destino imóveis e outros ativos de alto valor.
Protesto de bens e desdobramentos
A ação aponta que a operação foi articulada por meio do City, fundo ligado ao Master, que adquiriu recebíveis de empresas da família Vorcaro e prometia pagamentos futuros. Em 2022, o City repassou 419,9 milhões de reais, com promessa de 798 milhões a receber.
Segundo a liquidante, esses recebíveis teriam pouco lastro, não representando risco real de recuperação. Com perdas, o fundo passou a registrar impactos contábeis nos meses seguintes, segundo a CVM.
O TJ-SP acatou liminar para protestar os bens da família, visando evitar esvaziamento patrimonial e proteger possíveis ressarcimentos de credores. A gestão do Master sustenta que não houve ato ilícito associado aos familiares.
Venda de recebíveis e evidências de ocultação
Em paralelo, em julho de 2025, o City vendeu o conjunto de recebíveis da família Vorcaro para Navarra S.A. por 776,9 milhões. A Navarra, entretanto, não era interessada nos recebíveis e teve como beneficiário final Vorcaro por meio de dois fundos, Lunar e Astralo 95.
A líquidante aponta que a operação serviu para mascarar dívidas da família na contabilidade do Master e do City. Em decorrência, a City anunciou, em julho, a irrecuperabilidade de ativos, com recuo de 99,98% do valor das cotas.
Bens e manter ativos sob protesto
A apuração aponta a possível aquisição de uma propriedade nos EUA, Windermere, avaliada em US$ 35 milhões, pela Sozo Real Estate Inc., ligada ao ex-controlador. Também são citados um imóvel de R$ 36 milhões em Brasília, um jato de alto valor e aportes na SAF do Atlético Mineiro.
As investigações federais apontam ainda pagamentos de propina a fiscais do BC para facilitar operações, além da ligação com o grupo conhecido como Turma, alvo de denúncias e investigações. A defesa de Henrique e Natália nega irregularidades e afirma que os negócios citados foram lucrativos para o Master.
Nota da defesa e próximos passos
A defesa dos Vorcaro afirma que não há ato ilícito e que as suspeitas decorrem de boatos sem base probatória. Os advogados ressaltam que os negócios com empresas parceiras foram lucrativos para o Master e que não houve conhecimento prévio dos fundos mencionados.
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