- Felipe Monteiro defende o segredo industrial como alternativa à patente para proteger inovações de forma mais duradoura e estratégica.
- O Brasil tem recordes de depósitos no INPI, mas ainda usa pouco o segredo industrial, ao contrário de EUA e Japão.
- Modelo híbrido ganha espaço: parte da tecnologia é patenteada, enquanto o know-how e parâmetros técnicos ficam sob segredo.
- Riscos atuais incluem hiperconexão e IA generativa, que aumentam as possibilidades de vazamento sem governança de informação adequada.
- A proteção envolve três pilares: contratual, organizacional e estratégico, definindo o que vai para patentes e o que permanece confidencial.
Felipe Monteiro, sócio-advogado do Kasznar Leonardos, defende o segredo industrial como alternativa à patente em muitos casos de inovação no Brasil. Em seu entendimento, patentear nem sempre é ideal e a proteção contínua pode ser alcançada durante o desenvolvimento, sem revelar a solução ao público.
O tema ganhou espaço após episódios recentes. Casos como a perda de exclusividade de determinados países na polilaminina e a expiração da patente do Ozempic no Brasil incentivam debates sobre a estratégia de proteção de invenções. Universidades e empresas vêm reavaliando seus modelos de governança.
De acordo com o especialista, a visão dominante no Brasil ainda é a de patentear tudo, o que nem sempre reflete a realidade de cada tecnologia. A patente requer divulgação completa da solução, gerando exclusividade temporária e possível entrada de rivais após o vencimento.
Para Monteiro, manter segredo industrial pode ser mais vantajoso quando o valor está nos bastidores do desenvolvimento, não no produto final. A área de medicamentos, ciência de dados e IA ressaltam essa preocupação, com a adoção de modelos híbridos entre patente e confidencialidade.
Segredo e patente
Nessas práticas, parte do arcabouço tecnológico fica protegida por patente, enquanto parâmetros de produção e know-how permanecem em segredo. A combinação busca manter vantagem competitiva sem revelar o método completo de fabricação.
O segredo envolve informações com valor econômico justamente por não serem de domínio público, desde que mantidas sob confidencialidade. Em muitos casos, essa proteção pode ser mais duradoura do que a patente, que expira em 20 anos.
A adoção de modelos híbridos é mencionada como solução sofisticada: a proteção parcial por patente aliada a preservação de elementos cruciais como dados de produção e algoritmos como segredo industrial.
Riscos da hiperconexão
O desafio atual é preservar segredos num ambiente de alta conectividade e competição global. Segundo Monteiro, o segredo não é regido por estruturas governamentais, depende de políticas internas e de assessoria jurídica especializada.
O avanço da IA generativa eleva os riscos de vazamento, especialmente com colaboradores que compartilham dados em plataformas externas. A confidencialidade depende de governança de informação madura e controles de acesso adequados.
O especialista alerta que, no cenário tecnológico atual, o segredo industrial pode ser um ativo estratégico de grande valor para a economia, principalmente quando a replicação de tecnologias é rápida.
Providências jurídicas
A governança inadequada pode causar prejuízos amplos, conforme a lei brasileira de propriedade industrial, que trata divulgação não autorizada como concorrência desleal. A Justiça atua quando há barreiras reais de proteção bem estabelecidas.
A proteção do conhecimento exige três pilares: contratual, organizacional e estratégico. Cláusulas de confidencialidade, políticas de classificação de informações e decisões sobre o que vai ao INPI devem ser definidas com antecedência.
Em síntese, a proteção de ativos intangíveis precisa acompanhar o ciclo da inovação, desde a concepção até a comercialização, com equilíbrio entre patente e segredo para manter a competitividade.
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