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Petróleo representa 60% da inflação no 1º trimestre de 2026, diz estudo

Petróleo impulsiona inflação no 1T de 2026, respondendo por cerca de 60% da alta do IPCA, com impactos diretos em combustíveis e efeitos indiretos sobre serviços

Créditos: depositphotos.com / joasouza
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  • O petróleo respondeu por cerca de 60% da alta do IPCA no 1º trimestre de 2026, equivalendo a 0,82 ponto percentual de uma inflação trimestral de 1,4%.
  • O estudo aponta dois canais de efeito: direto nos preços administrados (combustíveis e bens industriais) e indireto por elevar expectativas, alimentando o componente de serviços.
  • O barril saiu de US$ 64 no último trimestre de 2025 para US$ 80 no 1º trimestre de 2026, com picos acima de US$ 100.
  • No acumulado de 12 meses, a demanda segue como fator dominante, ainda que o choque de oferta tenha peso relevante no curto prazo.
  • As expectativas de inflação reagiram mais aos choques de oferta (aproximadamente 2,2 pontos percentuais) do que aos de demanda (1,5 p.p.), exigindo vigilância do Banco Central.

O petróleo voltou a ser o principal motor da inflação brasileira no primeiro trimestre de 2026, segundo estudo do Daycoval. O levantamento aponta que o choque de oferta respondeu por 60% da alta do IPCA nesse período, equivalentes a 0,82 ponto percentual de uma inflação trimestral de 1,4%.

O estudo é do Departamento de Pesquisa Econômica do Daycoval (DPEc) e tem como autores Rafael Cardoso, Julio Cesar Barros e Antonio Ricciardi. A análise indica que a inflação tem origem, em grande parte, na oferta, com contribuição menor da demanda no 1T26.

Petróleo pressiona inflação por dois caminhos

O documento mostra que a alta do petróleo atua de forma direta, impactando preços administrados como combustíveis e bens industriais, além de atuar indiretamente ao elevar expectativas inflacionárias.

A dupla via de transmissão também pode aumentar a inflação de serviços pela inércia de preços, segundo o estudo. A guerra recente entre EUA e Irã elevou o preço do barril de cerca de US$ 64 no 4º trimestre de 2025 para US$ 80 no 1T26, com picos acima de US$ 100.

Efeitos no curto e no médio prazo

No curto prazo, o choque se concentra nos preços administrados. No médio prazo, tende a repercutir em preços livres, pela inflação de expectativas, câmbio e cesta de commodities.

Apesar da possível normalização gradual, o Daycoval sustenta que os efeitos sobre a inflação já deixaram marcas perceptíveis para o mercado. A demanda continua relevante para o IPCA acumulado em 12 meses, mantendo o foco na política monetária.

Expectativas e inércia inflacionária

As expectativas de inflação, captadas pelo Boletim Focus, mantêm sensibilidade aos choques de oferta. No 1T26, o componente de oferta nas expectativas ficou em cerca de 2,2 pontos percentuais, acima dos 1,5 pontos percentuais da demanda.

Isso sugere que a inércia inflacionária pode sustentar o avanço do IPCA enquanto o choque de petróleo persistir. A tensão dificulta a convergência da inflação à meta de 3%.

Segmentação da inflação e perigos no curto prazo

Os preços administrados apresentaram maior sensibilidade ao choque do petróleo. No 1T26, o componente de oferta nesses itens ficou em cerca de 1,5 ponto percentual, ante 0,4 ponto percentual nos preços livres.

Os combustíveis e tarifas aparecem como protagonistas na transmissão direta. Já a transmissão nos preços livres tende a ocorrer com defasagem, por meio de expectativas e custos disseminados.

Implicações para a política monetária

O Daycoval ressalta a necessidade de vigilância do Banco Central, diante de hiato do produto ainda positivo, incerteza fiscal e câmbio volátil em ano eleitoral. Choques de oferta são, em princípio, mais transitórios.

Caso o petróleo recupere o patamar anterior, o impacto tende a se dissipar mais rapidamente. Entretanto, o estudo adverte que riscos de segunda ordem podem surgir se a política monetária for reduzida prematuramente.

Fonte: Departamento de Pesquisa Econômica do Daycoval (DPEc), com autores Rafael Cardoso, Julio Cesar Barros e Antonio Ricciardi.

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