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Reduzir custos de empréstimos para países pobres libera US$ 900 bilhões

Alívio da dívida para países em desenvolvimento pode liberar até US$ 917 bilhões por ano para desenvolvimento, ampliando gastos sociais

The report suggests that some countries, including those such as Bangladesh that are regularly hit by climate crises, should have their repayments reduced to 10% of government revenue.
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  • Um relatório encomendado à ONU afirma que reduzir custos de serviço da dívida nos países mais pobres poderia liberar até US$ 900 bilhões por ano para desenvolvimento.
  • As nações do G77 passam US$ 8 trilhões anuais com o serviço da dívida, cerca de 35% dos gastos do governo.
  • O estudo, baseado em dados do FMI, aponta medidas como reestruturação de dívidas e redução de custos de empréstimos para 33 países com as maiores taxas de juros.
  • Um cenário mais realista, excluindo alguns emergentes como a China, ainda liberaria cerca de US$ 917 bilhões por ano, permitindo dobrar o gasto social.
  • Em média, as economias beneficiadas ganhariam cerca de 9% do PIB anual para financiar metas de desenvolvimento sustentável.

O relatório apresentado ao secretário-geral da ONU estima que reduzir os custos de serviço da dívida para os países mais pobres pode liberar até 900 bilhões de dólares por ano para investimentos em desenvolvimento. O estudo foi preparado pela organização de defesa Development Finance International (DFI), com apoio do governo da Noruega, e foi lançado em Oslo.

Segundo o documento, os 77 países em desenvolvimento do G77 gastam cerca de 8 trilhões de dólares anualmente com o pagamento de juros e amortizações, o que corresponde a aproximadamente 35% dos gastos do governo. Em seis bilhões de pessoas, o pagamento da dívida supera o orçamento anual de saúde.

O estudo aponta que ações de alívio completo da dívida podem exigir reorganização entre países com maior peso de juros. O secretário-geral da ONU, António Guterres, já pediu ações globais para liberar recursos destinados a cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), incluindo reestruturação da dívida para os mais atingidos.

Potencial impacto de medidas

A análise, com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), modela cenários país a país. Em um deles, reduzir pela metade os custos de tomada de crédito para 33 países com juros elevados, somado a cortes de encargos para outros até 10% da receita governamental, poderia liberar até 3 trilhões de dólares anuais para desenvolvimento.

Um plano mais conservador, que exclui grandes economias emergentes como a China, ainda assim permitiria liberar cerca de 917 bilhões de dólares por ano, o que permitiria ampliar significativamente os gastos sociais.

Em média, a economia gerada equivaleria a 9% do PIB anual dos países beneficiados. O relatório afirma que, se a comunidade internacional apoiar um alívio financeiro abrangente, poderá ampliar o espaço fiscal para avançar os ODS, dependendo da vontade política global.

O FMI alertou que a ampliação de financiamentos por parte do setor privado, como fundos de hedge, aumenta o risco de juros mais altos e choques cambiais para países em desenvolvimento, especialmente diante de tensões geopolíticas.

A situação atual é mais complexa do que em campanhas anteriores, com menos empréstimos bilaterais diretos e maior participação do crédito privado. Observa-se que mudanças no custo de financiamento podem influenciar a trajetória macroeconômica dos países afetados.

Max Lawson, chefe de políticas de desigualdade da Oxfam, destacou a gravidade da situação para governos do sul global, destacando a necessidade de alívio de dívida para reduzir a vulnerabilidade alimentar e social associada a crises como a do Irã.

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