- Compass precificou sua oferta no piso da faixa de R$ 28 a R$ 35 por ação, levantando R$ 3,2 bilhões em um IPO 100% secundário.
- A oferta visa reduzir a dívida da Cosan, que passa a deter 75,4% do capital da Compass, de 88% anteriormente.
- Investidores compradores incluíram Bradesco Seguros, Atmos Capital, Brasil Capital, Prisma e Núcleo, que venderam cerca de metade de suas posições; Atmos manteve participação via co-investimentos.
- Não houve tranche para varejo; a alocação ficou majoritariamente (cerca de 80%) para fundos long only, com 20% para hedge funds.
- A Compass foi avaliada em aproximadamente R$ 20 bilhões no piso, cerca de 21% acima da rodada privada de 2021; o caixa da Cosan deve aumentar com a entrada dos recursos.
A Compass realizou seu IPO na B3 no primeiro lançamento na bolsa brasileira em quase cinco anos, precificando a oferta no piso da faixa indicativa e levantando 3,2 bilhões de reais. A operação é 100% secundária, com foco em reduzir a dívida da Cosan, que detinha 88% do capital e passará a ter 75,4% após a venda.
A transação ocorre em um mercado de alta volatilidade, pressionado pela guerra no Irã e pela percepção de risco. A demanda foi robusta, com o book superior a 3 vezes a oferta, e investidores estrangeiros respondendo por cerca de 60% do total.
A Cosan já reduziu sua dívida líquida para aproximadamente 10 bilhões de reais, após dividir parte de seu capital com a Vale. Os recursos do IPO vão para o caixa da empresa, aprofundando a desalavancagem da holding após a saída parcial dos acionistas privados.
Estrutura e alocação
A oferta base soma 2,5 bilhões, com 375 milhões no greenshoe e 325 milhões no hot issue. Do total captado, 2,525 bilhões vão para o caixa da Cosan. A alocação foi majoritariamente a fundos long only, com cerca de 80%, incluindo soberanos, e o restante para hedge funds.
A precificação no piso da faixa, de 28 reais por ação, colocou a Compass em cerca de 20 bilhões de reais de valor de mercado. O múltiplo EV/EBITDA ficou próximo de 6,1x, abaixo de pares do setor de utilities.
Os coordenadores foram BTG Pactual, Bank of America, Bradesco BBI, Itaú BBA, Citi e Santander. Os joint bookrunners incluíram JP Morgan, XP, UBS BB e BNP Paribas. O processo seguiu o novo rito da Anbima, sem tranche para varejo.
Perspectivas e operações da Compass
A Compass atua com importação de gás via terminal de GNL em Santos, comercializa pelo canal Edge e distribui para sete distribuidoras estaduais, incluindo a Comgás. O maior potencial de crescimento está na Edge, com expansão esperada no mercado livre de gás.
Especialistas apontam que o IPO abre um ciclo em que bancos teriam procurado manter parte dos ganhos para recompensar investidores, diferentemente de períodos anteriores marcados por maior ganância. O mercado continua atento à evolução da demanda por gás.
A transação marca a entrada de uma large cap no universo de gás brasileiro, mesmo com o ambiente de incertezas. A Compass pretende ampliar participação em térmicas a gás e clientes industriais, reforçando sua posição no segmento de energia.
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