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Fim da escala 6×1 pode elevar rotatividade e reduzir salários, diz Zylberstajn

Fim da escala 6x1 e redução para 40 horas podem elevar rotatividade e reduzir massa salarial; a produtividade negociada entre empregadores e trabalhadores é essencial

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  • A redução da jornada de 44 para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1 podem elevar a rotatividade e reduzir a massa salarial, segundo o economista Hélio Zylberstajn.
  • Em média, para compensar a queda de horas, seria necessário um ganho de produtividade de 8,5%, o que ele vê como desafio relevante para as empresas.
  • Zylberstajn sugere condicionar a redução a ganhos de produtividade negociados entre empregadores e trabalhadores, com prazos definidos para atingir metas.
  • A adaptação varia por setor: setores com mão de obra mais relevante nos custos seriam mais impactados; serviços, saúde e educação enfrentariam maior pressão, enquanto indústria mais intensiva em capital sofreria menos.
  • Há risco de informalidade e aumento de custos em alguns modelos de scale, como ao passar de 6×1 para 5×2, exigindo ajustes estruturais diferentes em cada empresa.

O economista Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP, afirma que a aprovação da redução da jornada de 44 para 40 horas semanais e do fim da escala 6×1 pode elevar a rotatividade nas empresas e reduzir a massa salarial. Ele ressalta que trabalhadores que manterem o salário atual poderão ser substituídos por outros com remuneração menor ao longo do tempo.

Zylberstajn avalia que o impacto não ocorre de forma imediata, mas tende a se materializar conforme as empresas se ajustem aos novos incentivos. O especialista aponta que a produção adicional necessária para compensar a redução de horas seria de cerca de 8,5%, cifra desafiadora para manter a mesma margem de lucro.

Ele defende que a PEC deveria vincular a redução da jornada a metas de produtividade negociadas entre empregadores e trabalhadores, com prazos para cumprir os ganhos. A ideia é evitar prejuízos às empresas e permitir ganho para os trabalhadores conforme o aumento da eficiência.

Impactos setoriais e produtividade

Segundo Zylberstajn, o efeito da mudança varia por setor. Indústrias com pouca participação de mão de obra, como metalurgia e química, podem absorver o ajuste mais facilmente. Já serviços, saúde e educação, com maior peso de mão de obra, devem sentir impacto mais significativo.

Aumento da rotatividade seria uma consequência esperada, com demissões de trabalhadores que antes tinham carga horária maior, substituídos por novos contratados com salários menores. Esse processo não acontece de uma vez, mas se consolida ao longo do tempo.

Como as empresas podem se adaptar

Empresas com custo de mão de obra elevado podem reduzir a margem de lucro ou repassar parte dos custos aos preços, dependendo de o quão competitivo for o setor. Em mercados mais competitivos, a rotatividade e a queda da massa salarial aparecem como caminhos de ajuste, diz o economista.

A adoção de contratos intermitentes em alguns setores que passaram de 6×1 para 5×2 também pode elevar o custo do trabalho, conforme o profissional alerta. O cenário aponta para uma combinação de ajustes na produtividade, na folha de pagamento e na organização do trabalho.

Propostas e cautelas

Zylberstajn alerta contra propostas de recompensação que reduzam a arrecadação de INSS ou flexibilizem regras de saúde e segurança. Em vez disso, defende que a compensação ocorra onde houver maior efeito da baixa produtividade, por meio de acordos que liguem a redução da jornada a metas de produtividade.

A sugestão é que a PEC determine a redução para 40 horas, condicionada ao atingimento de ganhos de produtividade ao longo de um período definido. A OIT tem estudado efeitos da jornada na produtividade, o que reforça a necessidade de cuidado com a transição.

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