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74% dos fundos de debêntures incentivadas registram perdas em abril

Com 74% dos fundos de debêntures incentivadas no vermelho em abril, gestores apontam janela de oportunidade para quem tem apetite por risco, até o segundo semestre

74% dos fundos de debêntures incentivadas têm perdas em abril; é hora de vender ou comprar? — Foto: GettyImages
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  • Em abril, 74% dos fundos de debêntures incentivadas fecharam o mês no vermelho, com queda média de 0,34%.
  • O aumento das taxas, provocado por riscos de recuperação extrajudicial, atraso na divulgação de resultados e efeitos da guerra no Golfo Pérsico, derrubou o preço das cotas e provocou resgates.
  • Gestores veem uma janela de oportunidade para investidores com apetite por esses fundos, inclusive em veículos de menor risco de crédito com desconto.
  • A tendência é de volatilidade até o segundo semestre, com resgates ainda pressionando as cotas e podendo levar a novas quedas se a liquidez reduzir.
  • A isenção de imposto de renda para debêntures incentivadas, combinada com taxas mais altas, pode tornar certos ativos relativamente mais atrativos, para quem permanecer investido.

A maioria dos fundos de debêntures incentivadas fechou abril no vermelho pela segunda vez consecutiva, segundo levantamento do Valor. Em uma cesta de 134 produtos, 74% registraram perda média de 0,34%. O recuo acompanha alta de juros e maior percepção de risco no crédito corporativo.

A elevação das taxas dos títulos que compõem esses fundos vem de pedidos de recuperação extrajudicial, atraso na divulgação de resultados e impactos do cenário geopolítico no Golfo. Com isso, o preço das cotas caiu, levando a uma onda de resgates entre cotistas.

O retrato atual também aponta uma retomada de fontes de demanda para papéis de infraestrutura, ainda que com cautela. Movimentos de resgates obrigam gestoras a vender ativos líquidos, o que pressiona ainda mais as taxas e os preços das cotas.

Panorama atual do mercado

Gestores destacam que o ambiente pode permanecer conturbado até pelo menos o segundo semestre. Mesmo assim, surge uma janela de oportunidade para quem tem apetite por fundos de debêntures incentivadas, inclusive em veículos de menor risco de crédito, com cotações descontadas.

Ricardo Espindola, da Porto Asset, aponta que a qualidade de crédito não caiu para a maioria das empresas de infraestrutura, apesar da correção de preços. Em cenários de resgate, há venda de ativos líquidos e atualização de taxas para equilibrar o fluxo de caixa.

Leonardo Ono, da Legacy Capital, diz que houve um choque de liquidez, não de solvência, e que o ciclo de resgates tende a reduzir com o tempo. Ele acredita que, no médio prazo, as cotas devem se recuperar e as taxas voltarem a recuar, ainda sob avaliação de balanços.

Paulo Bokel, da Absolute, avalia que não existem problemas generalizados de crédito, apenas menor volume de operações devido ao maior risco percebido. Ele enxerga oportunidade de compra, principalmente para títulos com fundamentos ainda sólidos, desde que o investidor tolere a volatilidade.

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