- Um ano após a chegada de Lip-Bu Tan, as ações da Intel passaram de cerca de US$ 26 em março de 2025 para acima de US$ 95 no início de maio de 2026, com alta superior a 360% no período, e abril foi o melhor mês desde 1987 na Nasdaq.
- O governo dos EUA tornou-se um dos principais acionistas, após investir US$ 8,9 bilhões a US$ 20,47 por ação, elevando a participação e colocando o governo como terceiro maior acionista.
- Parceiros estratégicos aparecem: Elon Musk com a Terafab (SpaceX, xAI e Tesla) e Apple buscando produzir parte dos chips nos EUA, com investimento inicial de até US$ 55 bilhões e potencial de chegar a US$ 119 bilhões no projeto completo.
- Desafios internos persistem: rendimento do processo 18A em cerca de 65% (baixo em relação à TSMC, com yield acima de 80%), e o plano detalhado para o próximo processo 14A ainda não foi apresentado, segundo relatos.
- No primeiro trimestre de 2026, a Intel registrou receita de US$ 13,58 bilhões e EPS ajustado de US$ 0,29; a segmentação Data Center e IA cresceu 22% na base anual, com perspectiva de receita entre US$ 13,8 bilhões e US$ 14,8 bilhões para o segundo trimestre.
Doze meses após a chegada de Lip-Bu Tan à presidência, as ações da Intel cresceram de forma expressiva, incluindo um recorde histórico ao redor de US$ 95 no início de maio de 2026. A recuperação da fabricante de semicondutores é apontada como uma das maiores do setor na última década.
O salto vem aliado a movimentos políticos e empresariais inéditos, com o governo dos EUA tornando-se acionista relevante, a parceria com Musk em Terafab e contatos da Apple para diversificar a produção de chips nos EUA. Cada anúncio elevou o valor das ações.
Apesar do desempenho, questiona-se se as promessas se traduzem em resultados práticos na manufatura. Executivos ouvidos pela Bloomberg destacam a ausência de um plano interno detalhado para corrigir falhas de produtos e de plantas de fábrica.
Contexto estratégico
A relação com a Casa Branca consolidou-se em 2025, com o governo investindo US$ 8,9 bilhões na Intel. O montante ocorreu a US$ 20,47 por ação, elevando o valor de mercado para cerca de US$ 36 bilhões até abril de 2026. O impulso incluiu recursos do CHIPS Act.
Musk ampliou a presença da Intel no radar, ao firmar parceria com SpaceX, xAI e Tesla para um complexo no leste do Texas, com investimento inicial de US$ 55 bilhões e potencial de chegar a US$ 119 bilhões no conjunto do projeto. A 14A é a tecnologia prevista para esse projeto.
A Apple estuda produzir parte dos processadores principais nos EUA com a Intel Foundry. Caso se confirme, a companhia abriria espaço para competitividade maior na cadeia de suprimentos local, com a Intel reagindo rapidamente aos sinais de mercado após o vazamento dessas conversas.
Números-chave e tecnologia
A Intel enfrenta um desafio técnico: o custo de produção por chip é estimado em até três vezes o da TSMC, segundo a New Street Research. O yield atual da Intel está em torno de 65%, frente mais de 80% da concorrente taiwanesa.
No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou receita de US$ 13,58 bilhões e EPS ajustado de US$ 0,29, superando expectativas. O segmento Data Center e IA cresceu 22% na base anual, para US$ 5,1 bilhões.
Os planos para 18A e 14A são cruciais. A Intel aponta yield de 65% para 18A e prevê melhoria gradual até 2027, com 14A em produção plena no fim de 2027 e volume em 2028. A Computex 2026 deve apresentar as novas linhas.
Desafios internos e gestão
A liderança de Tan busca mudar uma cultura de atrasos em entrega, segundo relatos de Kevork Kechichian. A meta é que 80% da organização internalize a urgência de recuperação para competir no mercado de silício.
A diretoria cita como desafio a transição para modelos de fabricação mais complexos e a necessidade de alinhamento entre equipes de produto e manufatura. A mudança envolve recuperar confiança interna na Intel Foundry e reduzir dependência da TSMC.
O Q1 de 2026 consolidou a mudança de leitura de Wall Street, com perspectivas de receita do segundo trimestre acima das expectativas. A direção acredita que a parceria com clientes estratégicos pode ampliar o volume de negócios além do esperado.
Perspectivas e próximos passos
O mercado espera avanços concretos entre o segundo e terceiro trimestres de 2026, com foco no rendimento do 18A e no fechamento de acordos formais com a Apple pela Intel Foundry. Sem esses progressos, o múltiplo de valuation pode perder sustentação.
Especialistas apontam que a credibilidade de Tan virá pelos resultados práticos, especialmente na capacidade de entrega de projetos de manufatura. O caminho envolve equilibrar inovação tecnológica com eficiência de produção e contratos estratégicos.
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