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Bolsa brasileira cai sem capital estrangeiro, aponta Felipe Guerra

Bolsa brasileira depende de fluxo externo; sem avanço interno, recuo de capitais estrangeiros pode derrubar o mercado

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  • Felipe Guerra afirma que a alta da bolsa brasileira não reflete melhora estrutural da economia local, e sim fluxo externo.
  • Segundo o CIO da Legacy Capital, o cenário global de três anos recentes foi de juros baixos e estímulos fiscais, o que favoreceu emergentes, incluindo o Brasil, por demanda por commodities.
  • Guerra diz que o Brasil não fez nada específico para merecer a alta, que ocorreu em contexto internacional favorável e com desempenho semelhante ao de Colômbia, Chile e México.
  • Ele alerta que, se o capital estrangeiro deixar o país, a bolsa pode despencar, embora a trajetória dependa das condições internacionais.
  • Em relação aos investidores, ressalta que estrangeiros veem maior atratividade no Brasil por múltiplos baixos, enquanto o investidor local enfrenta dificuldade de superar o CDI com ações, devido à Selic em torno de 15% ao ano.

Em episódio de estreia do Café com Investidor, Felipe Guerra afirma que a alta da bolsa brasileira não reflete melhoria estrutural da economia doméstica. A entrevista foi veiculada nesta sexta-feira, 8, em parceria entre CNN Money e NeoFeed.

Guerra, CIO e sócio-fundador da Legacy Capital, destaca que o cenário global dos últimos dois anos foi marcado por juros baixos e estímulos fiscais. Segundo ele, o Brasil teve participação positiva apenas por condições internacionais favoráveis a commodities.

Para o investidor, a valorização atual não é resultado de medidas internas, e sim de um ambiente internacional que favoreceu o País, especialmente por preços de commodities e melhoria da troca comercial. A comparação é feita com outras bolsas de produtores.

Ele afirma que, se o capital estrangeiro sair, a bolsa tende a recuar, mas a trajetória depende das condições globais. O CIO aponta que o Brasil se beneficia, em meio a tensões geopolíticas, por ser grande produtora de commodities e alimentos.

O entrevistado ressalta que investidores estrangeiros, em busca de diversificação, enxergam no Brasil ativos com múltiplos historicamente baixos. No entanto, comprar apenas pela atratividade de preço não é, por si só, uma estratégia suficiente.

Cenário doméstico x externo

Para o investidor local, a atratividade é menor devido à Selic perto de 15% ao ano e juros reais em torno de 8%, o que dificulta superar o CDI com ações nacionais. Guerra diz que encontrar títulos com retorno significativo acima do CDI é difícil por aqui.

Por outro lado, o investidor estrangeiro consegue captar a custos baixos, com juros de 2,5% a 3%, e observa o Brasil com maior atratividade. O que se vê nos últimos dois anos é fluxo de saída de fundos de ações locais, enquanto compras por estrangeiros têm sido constantes.

Pontos centrais

A visão de Guerra enfatiza a influência de fatores externos sobre o desempenho recente da bolsa e o papel de commodities como motor secundário. A entrevista também tratou de riscos associados ao fluxo de capitais e à sensibilidade a choques globais.

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